Momentos de sua vida
Infância
Amelia Mary Earhart, filha de Samuel “Edwin” Stanton Earhart (1868-1930) e Amelia Otis Earhart (1869-1962),,[8]
nasceu em Atchison, Kansas,
na casa de seu avô materno, Alfred Otis, um ex-juiz federal, presidente
do Atchison Savings Bank e considerado um ilustre cidadão de Atchison. Alfred Otis não
aprovou o casamento e nem achou satisfatória a atuação de Edwin como advogado.
Amelia recebeu o nome de acordo com os costumes da família, como o de
suas duas avós (Amelia Josephine Harres e Mary Wells Patton). Desde a infância, Amelia, apelidada de “Meeley” (às vezes “Milie”) era a chefe
enquanto sua irmã, dois anos mais nova que ela, Grace Muriel Earhart (1899-1998), apelidada de "Pidge",
atuava como uma seguidora obediente. Ambas as meninas atendiam pelos seus
apelidos de infância quando adultas. A sua educação foi pouco convencional,
pois Amy Earhart não acreditava em maneiras de moldar crianças em ”crianças
adoráveis”. Entretanto, sua avó materna desaprovava o uso de “Bloomers” (traje
feminino: calça pelas canelas, saia por cima da calça, ambas folgadas, dando uma
aparência de descuido ao se vestir) utilizados pelas filhas de Amy e, apesar de
Amelia gostar da liberdade que estas proporcionavam, ela estava consciente de
que as crianças da vizinhança não usavam esses trajes.
Primeiras influências
Um espírito de aventura parecia ser parte das crianças da família
Earhart que passavam os dias explorando a vizinhança procurando por coisas
interessantes e excitantes. Quando criança, Amelia passava horas brincando com
Pidge, escalando árvores, caçando ratos com seu rifle e descendo encostas com seu
trenó. Mesmo que seus
interesses pelas brincadeiras fortes e duras fossem comuns à idade, alguns
biógrafos diziam que a jovem Amelia apresentava tendências masculinas. As
meninas tinham "minhocas, borboletas, gafanhotos e uma rã arborícola"
em uma coleção que ficava cada vez maior, recolhida em suas excursões. Em 1904 com a ajuda do tio, Earhart construiu
com materiais caseiros uma rampa que simulava uma montanha-russa, que ela já
tinha visto em St. Louis,
que descia do telhado da cabana de ferramentas. O primeiro voo documentado de
Amelia acabou dramaticamente. Ela saiu de dentro da caixa de madeira quebrada
que serviu de trenó, bem animada, com um lábio sangrando e o vestido rasgado
dizendo: “Oh, Pidge, é como se eu estivesse voando!”.
Embora havendo alguns percalços no caminho da sua carreira até aqui, em 1907 Edwin Earhart que trabalhava como
encarregado na ferrovia
de Rock Island, foi
transferido para Des Moines,
Iowa. No ano seguinte, aos
11 anos de idade, Amelia viu pela primeira vez algo parecido com um avião na
Feira Estadual de Iowa em Des Moines. Seu pai incentivou a ela e sua irmã a
voarem nele, porém uma olhada na velha sucata foi suficiente para Amelia
perguntar se elas não poderiam voltar para o carrossel. Mais tarde ela
descreveu o biplano
como "uma coisa de fios oxidados e madeira, sem nenhum atrativo".
Educação
Enquanto os seus pais se mudavam para uma pequena casa em Des Moines, Amelia e
Muriel (ela nunca utilizou o nome Grace) ficaram com os seus avós em
Atchison. Durante esse período, Amelia e a sua irmã foram educadas em casa pela
sua mãe e uma governanta. Mais tarde ela conta que foi “uma leitora voraz” e
gastou incontáveis horas na gigantesca biblioteca da família. Em 1909, quando finalmente a família se
reuniu em Des Moines, as crianças Earhart entraram pela primeira vez numa
escola pública, tendo Amelia entrado na sétima série
aos 12 anos.
Situação financeira da família
As finanças da família foram melhorando com a aquisição de uma nova casa
e contratação de dois empregados, porém, logo tornou-se aparente que Edwin era
alcoólatra. Cinco anos mais tarde (em 1914), foi forçado a se aposentar e apesar
de tentar se reabilitar através de tratamentos, ele nunca conseguiu ser
reincorporado ao seu trabalho na estrada de ferro de Rock Island. Nessa época,
a avó materna de Amelia, Otis morreu repentinamente, deixando toda a sua
fortuna para sua filha mas sob custódia, temendo que Edwin "bebesse"
todo o dinheiro. A casa dos Otis e todo o seu conteúdo foi vendida; Amelia
ficou muito triste e mais tarde descreveu que nesse momento terminava a sua infância.
Em 1915, após uma longa
procura, o pai de Amelia se empregou como administrativo na estrada de ferro Great Northern
em St.Paul, Minnesota.
Amelia passou a freqüentar a Central High School. Edwin foi transferido para Springfield,
Missouri, em 1915, mas o
encarregado atual reconsiderou sua aposentadoria e retomou seu emprego,
deixando o velho Earhart sem saber para onde ir. Em face dessa mudança, Amy
Earhart levou suas filhas para Chicago
onde elas passaram a morar com amigos. Amelia colocou uma condição incomum na
escolha da próxima educação dela; ela examinou as escolas secundárias próximas
em Chicago para achar o melhor programa de ciências. Ela rejeitou a escola
secundária mais próxima da casa dela pois reclamou que o laboratório de química
era "igual a uma pia de cozinha". Amelia ingressou no Hyde Park High
School porém passou um semestre sofrível, onde a legenda no seu anuário daquele
ano capturou seu íntimo naquele tempo, "A.E. – a garota de marrom que anda
sozinha".
Amelia se formou no Hyde Park High School em 1916. Durante toda a sua infância
conturbada, Amelia continuou aspirando à sua futura carreira; manteve um álbum
de recortes de jornal
sobre mulheres de sucesso em carreiras predominantemente masculinas, como:
direção e produção de filmes, advocacia, publicidade, gerência e engenharia
mecânica. Começou a faculdade na Ogontz School em Rydal,
Pennsylvania mas não
terminou.
Durante as férias de Natal
em 1917, visitou sua irmã em Toronto, Ontário. Amelia
revoltava-se ao ver o retorno dos soldados feridos na Primeira Guerra
Mundial e após receber treinamento como enfermeira na Cruz Vermelha, começou a
trabalhar no Destacamento de Ajuda Voluntária no "Spadina Military
Hospital" em Toronto, Ontário. Suas atribuições consistiam em preparar as
refeições dos pacientes com dieta especial e retirar as medicações prescritas
da farmácia do hospital.
Pandemia de gripe espanhola em 1918
Quando a pandemia
de Gripe Espanhola
chegou a Toronto, Earhart
estava ocupada com a dura tarefa de enfermeira, incluindo turnos noturnos no
"Spadina Military Hospital". Contraiu gripe, pneumonia e sinusite. Teve
complicações e foi hospitalizada no início de Novembro de 1918 com pneumonia, tendo alta em Dezembro
de 1918, permaneceu doente por aproximadamente dois meses. Os sintomas da sua sinusite eram dor e
pressão em torno dos olhos e secreção no nariz e garganta. No hospital, na era pré-antibióticos Amelia foi
sujeita a várias pequenas cirurgias dolorosas, para limpeza do seio maxilar
afectado, porém os procedimentos não tiveram sucesso e Earhart passou a sofrer
ataques de dores de cabeça cada vez piores. Sua convalescência durou quase um
ano que passou descansando na casa de sua irmã em Northampton, Massachusetts. Ela passava
o tempo lendo poesia, tocando banjo e estudando mecânica. Posteriormente, a
sinusite crônica afetaria significativamente os voos e atividades na vida de
Earhart. Em algumas ocasiões no campo de pouso, ela utilizava uma bandagem ao
redor da boca que segurava um pequeno tubo de drenagem.
Primeiras experiências de voo
Aproximadamente por essa época, Earhart visitou, com uma jovem amiga,
uma feira aérea que acontecia conjuntamente com a Exposição Nacional do Canadá
em Toronto. Um dos destaques do dia foi a exibição aérea de um "ás"
da Primeira Guerra Mundial. O piloto avistou do ar Earhart e a amiga, que
estavam observando de uma clareira isolada abaixo dele, e mergulhou na direção
delas. "Estou certa que ele disse para si mesmo, "Vejam como as faço
correr" ela disse mais tarde. Earhart sentiu-se varrida por uma mistura de
excitação e medo. Quando a aeronave se aproximou, algo dentro dela despertou.
"Eu não entendia até aquele momento, mas acredito que aquele pequeno avião
vermelho me disse algo quando se aproximou", diria Amelia mais tarde.
Em 1919 Earhart preparou-se
para entrar no Smith College mas mudou de idéia e foi para a Columbia University
inscrevendo-se num curso de medicina
entre outras matérias. Desistiu um ano depois reunindo-se posteriormente com
sua família na Califórnia.
Esquerda para direita:
Neta Snook e Amelia Earhart em frente da Kinner Airster de Earhart, c.1921
Em Long Beach,
em 28 de Dezembro
de 1920, ela e seu pai
visitaram um campo de pouso onde Frank Hawks (que mais tarde tornou-se um
famoso piloto) proporcionou-lhe uma viagem que mudaria a vida de Amelia para
sempre. "No momento em que estava a duzentos ou trezentos pés acima do
chão, eu descobri que precisava voar". Após o voo de dez minutos, ela
imediatamente procurou aprender a voar. Trabalhando em vários empregos, como
fotógrafa, motorista de caminhão e estenógrafa na companhia telefônica da
cidade, conseguiu juntar $1,000 para as lições de voo. Earhart começou seu
aprendizado em 3 de janeiro
de 1921, em Kinner Field
próximo a Long Beach,
mas para chegar até à base aérea, Amelia pegava um ônibus até o ponto final e
ainda andava cerca de 6,5 km. Sua professora foi Anita "Neta"
Snook, uma das mulheres pioneiras da aviação e que usava um pesado Curtiss JN-4 canadense
para treinamento. Amelia aproximou-se de Neta com seu pai e lhe perguntou,
"Quero voar, você me ensina?"
A dedicação de Amelia ao voo lhe exigiu que aceitasse o trabalho
freqüentemente duro e as condições rudimentares que acompanharam o começo do
treinamento de aviação. Ela escolheu uma jaqueta de couro mas sabendo que os
outros aviadores iriam julgá-la, dormiu na jaqueta durante três noites para dar
ao objeto um aspecto mais "usado". Para completar a transformação de
sua imagem, ela também cortou o seu cabelo no estilo de outras aviadoras. Seis
meses depois, Amelia comprou "O Canário", um biplano Kinner amarelo
brilhante de segunda-mão. Em 22 de outubro de 1922, Earhart voou a uma altitude de 14000
pés, batendo um recorde mundial para aviadoras. Em 15 de maio de 1923, Earhart torna-se a 16.ª mulher a
conseguir uma licença de voo da Fédération
Aéronautique Internationale (FAI).
Carreira na aviação e casamento
Amelia Earhart, Los
Angeles, 1928
Boston
De acordo com o Boston Globe,
ela foi "uma das melhores aviadoras dos Estados Unidos", apesar dessa
posição ser questionada por vários pilotos e expertos em aviação durante essas
décadas. Amelia era competente e inteligente mas não uma brilhante aviadora, e
suas atitudes eram considerados inadequadas por alguns deles. Um erro de
cálculo severo ocorreu durante a quebra do recorde. Amelia girou por um banco
de nuvens e somente conseguiu arremeter próximo dos 3.000 pés. Pilotos
experientes alertaram, "E se as nuvens estivessem espessas até tocar o
solo?" Amelia sabia de suas limitações como piloto e procurou a ajuda de
vários instrutores durante a sua carreira. Em 1927, "Sem nenhum acidente sério, ela
acumulou quase 500 horas de voo solo - uma marca considerável."
Durante esse período, a herança de sua avó, que agora era administrada
por sua mãe, foi aos poucos diminuindo, extingüindo-se por ocasião de um
investimento desastroso numa mina
de gipsita. Conseqüentemente,
sem nenhuma possibilidade de conseguir recuperar seu investimento na aviação,
Earhart vendeu o "Canário" e comprou um automóvel
"Speedster" para dois passageiros que ela batizou de "Yellow
Peril" (Perigo Amarelo). Simultaneamente, seu problema de sinusite
retornou dolorosamente e no início de 1924, ela foi hospitalizada para outra cirurgia, que novamente
não deu certo. Após ter se arriscado em algumas aventuras, incluindo uma
campanha fotográfica, Amelia buscou outro direcionamento. Após o divórcio de
seus pais em 1924, viajou com sua mãe através do continente americano, partindo
da Califórnia até Calgary,
Alberta. Durante essa
excursão, Amelia se submeteu a outra cirurgia em Boston, Massachusetts que foi mais
bem sucedida. Após sua recuperação, retornou aos estudos na Columbia University
mas foi forçada a abandonar seus estudos e quaisquer planos futuros para
ingressar no MIT
pois sua mãe não detinha os recursos suficientes para suprir suas despesas.
Logo após, conseguiu emprego como professora e depois como assistente social em
1925 no "Denison House", morando em Medford.
Earhart manteve seu interesse na aviação, tornou-se membro da
"American Aeronautical Society de Boston, sendo eleita
vice-presidente posteriormente. Investiu uma pequena soma no aeroporto Dennison,
atuando depois como representante de vendas dos aeroplanos Kinner em Boston. Escreveu para o
jornal local promovendo a aviação, e iniciando o projeto de uma organização
para pilotos femininos.
Amelia Earhart sendo
cumprimentada pela Sra. Foster Welch, Prefeita de Southampton, 20 de junho de 1928
Voo transatlântico de 1928
Após o voo solo de Charles Lindbergh através
do Atlântico
em 1927, Amy Phipps Guest,
uma socialite americana (1873-1959), expressou interesse em se tornar a
primeira mulher a cruzar o Oceano Atlântico. Porém, ao perceber que a viagem
seria muito perigosa, ela se ofereceu para patrocinar o projeto, buscando
"uma outra garota com a mesma fibra". Durante uma tarde de trabalho
em abril de 1928, Earhart
recebeu um telefonema do publicitário Hilton H. Railey, que perguntou,
"Você gostaria de voar sobre o Atlântico?"
Os coordenadores do projeto (inclusive o escritor e publicitário George P. Putnam)
entrevistaram Amelia e informaram-na que ela teria a companhia do piloto Wilmer
Stultz e do co-piloto/mecânico Louis Gordon no voo, tornando-a uma mera
passageira, mas mantendo o registro de voo. A equipe partiu de Trepassey
Harbor, Terra Nova,
em um Fokker F.VIIb/3m
em 17 de junho de 1928, aterrissando em Burry Port (próximo
de Llanelli), País de Gales,
Reino Unido, exatamente 20
horas e 40 minutos depois. Como a maior parte do voo foi por instrumentos e
Amelia não tinha treinamento para esse tipo de voo, ela não pilotou a aeronave.
Na entrevista após a aterrissagem, ela disse, "Stultz fez tudo o que foi
necessário. Eu fui somente bagagem, como um saco de batatas." E
acrescentou, ".talvez um dia eu tente fazê-lo sozinha."
Enquanto estava na Inglaterra,
Earhart voou no Avro Avian
594 Avian III, SN: R3/AV/101 pertencente a Lady Mary Heath. Ela comprou o
avião, mas foi devolvido dos Estados Unidos onde foi
marcado “marca de aeronave não permitida” 7083.
Celebridade
Referindo-se a sua semelhança física com Lindbergh, a quem a
imprensa chamava de "Lucky Lindy," alguns jornais e revistas passaram
a se referir a Amelia como "Lady Lindy". A "United Press"
foi mais longe e para eles, Earhart reinava como a "Rainha dos Ares".
Logo após a sua volta aos Estados Unidos, Amelia empreendeu uma exaustiva
excursão de conferências (1928-1929), e enquanto isso, Putnam empreendeu
uma pesada campanha para promovê-la, incluindo a publicação de um livro da
autoria dela, uma série de palestras e o uso de sua imagem em produtos de
massa, como: bagagens, cigarros
"Lucky Strike" (trouxe problemas para a sua imagem com as lojas
McCall, que retiraram seu patrocínio) e roupas femininas e esportivas. Do
dinheiro que ela ganhou com a "Lucky Strike", 1500 dólares foram doados à
então iminente expedição ao Pólo Sul
do comandante Richard Byrd.
Amelia não somente promovia os produtos, como se tornou ativamente
envolvida nas campanhas, principalmente as de moda feminina. Por anos ela
costurou sua própria roupa, e agora a sua linha de roupas "para quem tem
uma vida ativa" era vendida em 50 lojas como a Macy's, em áreas
metropolitanas: surgia uma nova imagem de Earhart. O conceito "A.E."
(o apelido carinhoso como seus parentes e amigos a chamavam) consistia em
linhas simples e naturais e que não amarrotavam, incorporando materiais
laváveis, práticos mas sem perder a feminilidade. Sua linha de bagagens
("Nova Bagagem Earhart") também detinha uma linha inconfundível.
Assegurava-se que a produção deveria estar compatível com a demanda dos voos e
até hoje é produzida. Uma grande quantidade de itens promocionais estampavam a
imagem de Earhart e do mesmo modo, equivalentes modernos ainda continuam a ser
produzidos até hoje. A campanha de marketing produzida por G.P. Putnam foi bem
sucedida ao criar afinidade entre a imagem de Earhart e o público.
Foto de Amelia Earhart,
c. 1932. Putnam instruiu
Earhart a disfarçar a má-formação dentária, mantendo sua boca fechada em
fotografias formais.
Promovendo a aviação
A condição de celebridade ajudou Amelia a financiar seu voo. Ao aceitar
o cargo de editora associada da revista "Cosmopolitan", vislumbrou a
oportunidade de angariar a aceitação pública para a aviação, promovendo
especialmente a entrada das mulheres nesse campo. Em 1929, Earhart esteve entre
os primeiros pilotos a promover voos através do serviço de linhas aéreas
comerciais; como Charles Lindbergh, ela representou a Transcontinental Air
Transport (TAT, mais tarde TWA),
e investiu tempo e dinheiro criando o primeiro serviço regional de viagens
entre Nova Iorque
e Washington, DC.
Foi vice-presidente da National Airways, conduzindo operações aéreas da
Boston-Maine Airways e várias outras linhas aéreas no nordeste dos Estados
Unidos. Em 1940 surge a Northeast Airlines.
Competição aérea
Embora se tenha tornado famosa com seu voo transatlântico, Earhart
queria ter um recorde "exemplar" somente seu. Logo após o retorno da
pilotagem do Avian "7083", ela se lançou no primeiro voo solo longo
que ocorreu quando seu nome começava a estar em destaque nacionalmente.
Efetuando a viagem em agosto de 1928, Earhart se tornou a primeira mulher a
efetuar um voo solo de ida e volta através do continente norte-americano.[60]
Gradualmente seu nível de pilotagem e profissionalismo foi amadurecendo, como
reconheceram os pilotos profissionais experientes que voaram com ela. O general
Leigh Wade voou com Earhart em 1929: "Ela nasceu para pilotar, com um
toque delicado no manche."
Subseqüentemente, ela fez sua primeira incursão numa competição de
corrida áerea em 1929 durante o primeiro "Santa Monica-to-Cleveland
Women's Air Derby" (apelidado de "Powder Puff Derby" por Will Rogers), chegando em
terceiro lugar. Em 1930, Earhart se tornou uma oficial da "National
Aeronautic Association" onde trabalhou ativamente para estabelecer a
separação dos recordes femininos e foi "instrumental" na aceitação de
um padrão internacional semelhante pela Fédération
Aéronautique Internationale (FAI). Em 1931, pilotando um Pitcairn PCA-2 autogiro,
quebrou o recorde mundial de altitude de 18.415 pés (5.613 m) em um equipamento
emprestado pela empresa. Para o leitor atual, pode parecer que Earhart apenas
efetuava voos de "exibição", mas ela foi, em conjunto com outras
aviadoras, crucial para convencer os americanos que "a aviação não era
somente para loucos e super-homens".
Durante este período, Earhart se envolveu com as "The
Ninety-Nines", uma organização de mulheres-piloto que davam apoio moral e
suportavam a causa das mulheres na aviação. Ela havia convocado uma reunião em
1929 após a "Women's Air Derby". Ela sugeriu o nome baseada no número
de membros constituintes; tornou-se a primeira presidente da organização em
1930. Amelia advogou vigorosamente pelas mulheres-piloto e quando em 1934 a
corrida "Bendix Trophy" baniu as mulheres, ela recusou-se a voar com
a atriz Mary Pickford
para Cleveland para abertura da
corrida.
Casamento
Por um tempo esteve noiva de Samuel Chapman, um engenheiro químico de
Boston, rompendo o noivado em 23 de novembro de 1928.[65]
Nesse meio tempo, Earhart e Putnam tornaram-se bastante íntimos, ao passarem
longos períodos juntos. George Putnam, conhecido como GP, divorciou-se em 1929
e propôs-se a Amelia seis vezes até que ela aceitasse sua proposta. Após
bastantes hesitações de parte de Earhart, casaram-se em 7 de fevereiro de 1931,
na casa da mãe de Putnam em Noank,
Connecticut. Earhart se
refere ao seu casamento como uma "associação" com "controlo
duplo". Numa carta escrita para Putnam e entregada a ele em mão no dia do
casamento, ela escreveu, "Eu quero que você entenda que não o prenderei a
nenhum código medieval de fidelidade a mim e que tão pouco me considerarei presa
a si desse modo."
As idéias de Amelia sobre o casamento eram liberais para aquele tempo,
pois acreditava em responsabilidades iguais de ambas as partes e manteve seu
próprio nome ao invés de ser chamada de Sra. Putnam. Quando o "The New
York Times", pelas regras de seu livro de estilo, insistiu
em referir-se a ela como Sra. Putnam, Amelia riu. GP também logo aprendeu que
deveria ser chamado de "Sr. Earhart". Não houve lua-de-mel para os
recém-casados pois Amelia estava envolvida em uma travessia de nove dias a fim
de promover os autogiros,
e o promotor da excursão, "Beechnut Gum." Apesar de Earhart e Putnam
não terem filhos, ele tinha dois filhos de seu casamento anterior com Dorothy
Binney (1888-1982), herdeira da companhia química Binney & Smith,
inventores dos craions (lápis de cera)Crayola: o explorador e escritor
David Binney Putnam (1913-1992) e George Palmer Putnam, Jr. (nascido em 1921). Amelia
tinha afeição especial por David que freqüentemente visitava seu pai em sua
nova residência em Rye, Nova Iorque. George havia contraído poliomielite pouco depois
da separação dos pais, e não podia visitá-los com tanta freqüencia.
Alguns anos mais tarde, ocorreu um incêndio na casa de Putnam em Rye e,
antes que fosse contido, destruiu tesouros de família, incluindo muitas das
recordações de Earhart. Após o incidente, GP e AE decidiram mudar-se para a
costa oeste, pois Putnam já havia vendido a sua posição na empresa de
publicidade ao seu primo Palmer, instalando-se em North Hollywood, o que
aproximou GP da Paramount
Pictures e da sua nova posição como chefe de edição dessa companhia
de filmes.
"Voo solo" transatlântico de 1932
Museu Amelia Earhart,
Derry
Lockheed Vega 5b
utilizado por Amelia Earhart e exposto no National Air and Space Museum
Aos 34 anos, na manhã de 20 de maio de 1932, Earhart partiu de Harbour
Grace, Terra Nova, com a cópia mais recente do jornal local (a cópia do jornal
tinha a intenção de confirmar a data do voo). Ela pretendia voar para Paris no seu Lockheed Vega
5b replicando o voo solo de Charles Lindbergh. Seu conselheiro
técnico de voo foi o famoso aviador Bernt Balchen que ajudou a preparar sua
aeronave. Desempenhou também o papel de "isco" para a imprensa pois
encontrava-se a preparar o Vega de Earhart para o seu próprio voo ao Ártico.[74]
Após um voo de 14 horas e 56 minutos durante o qual ela enfrentou fortes ventos
do norte, gelo e problemas mecânicos, Earhart pousou num pasto em Culmore,
norte de Derry, Irlanda do Norte.[75]
Quando o fazendeiro lhe perguntou, "Você veio voando de longe?"
Amelia respondeu, "Da América".." O local é agora sede de um
pequeno museu, o "Amelia Earhart Centre".
Como a primeira mulher a efetuar um voo solo sem escalas através do
Atlântico, Earhart recebeu a "Distinguished Flying Cross" do
Congresso dos Estados Unidos, a "Cruz de Cavaleiro" da Legião de Honra
do governo francês e a "Medalha de Ouro" da National
Geographic Society das mãos do presidente Herbert Hoover. Com o
crescimento da fama, tornou-se amiga de várias personalidades com cargos
públicos importantes, como Eleanor Roosevelt, a
"Primeira Dama". Roosevelt compartilhava de muitos interesses e
paixões mútuas com Earhart, especialmente as causas das mulheres. Depois de
voar com Earhart, Roosevelt obteve uma permissão de estudante, mas não
prosseguiu com seus planos de aprender a voar. As duas amigas mantiveram
contato freqüente por toda a vida. Outra famosa aviadora, Jacqueline Cochran,
que o público considerava a maior rival de Amelia, também se tornou sua amiga
íntima durante esse período.
Earhart e "velha
Bessie" Vega 5b c. 1935
Outros voos solo
Em 11 de janeiro de 1935, Earhart tornou-se a primeira pessoa a efetuar
um voo solo de Honolulu,
Hawaii a Oakland,
Califórnia. Embora esse
voo tenha sido tentado pelos desafortunados participantes da "Dole Air
Race" de 1927, que fizeram a rota invertida, seu vôo pioneiro foi o único
direto, sem problemas mecânicos. Nas horas finais, ela relaxou escutando a
"transmissão da "Metropolitan Opera" de Nova Iorque".
Nesse mesmo ano, novamente voando seu fiel Vega que ela chamou
"velha Bessie, o cavalo de fogo", Earhart voou sozinha de Los Angeles à Cidade do México
em 19 de abril. O próximo recorde atingido foi um vôo sem escalas da Cidade do
México para Nova Iorque.
Ela partiu em 8 de maio, em um vôo que foi calmo durante todo o trajeto,
somente na chegada houve uma preoucupação maior, pois uma multidão a aguardava,
e ela teve que ter cuidado para não aterrissar em cima dela.
Earhart novamente participou de corridas aéreas de longa distância,
chegando em quinto lugar, em 1935 na Bendix Trophy Race, o melhor resultado
que ela conseguiu alcançar, considerando que que seu Lockheed Vega alcançava no
máximo 195 mph (314 km/h), bem abaixo dos outros competidores que
poderiam chegar a mais de 300 mph (480 km/h). A corrida foi
particularmente difícil para alguns competidores, como Cecil Allen, que morreu
num incêndio durante a decolagem e sua rival Jacqueline Cochran que foi forçada
a desistir por problemas mecânicos, além do denso nevoeiro e trovoadas que
acompanharam toda a corrida.
Entre 1930 e 1935, Amelia bateu sete recordes de velocidade e distância
para mulheres em várias aeronaves: Kinner Airster, Lockheed Vega e Pitcairn
Autogiro. Em 1935, reconhecendo as limitações de seu "amado Vega
vermelho" em longos vôos transoceânicos, Amelia pensou, em suas próprias
palavras, um novo "prêmio. um vôo que eu gostaria muito de tentar – a
circumnavegação do globo o mais próximo da sua linha de cintura que
pudesse." Para esta nova aventura, ela precisaria de uma nova aeronave.
Voo mundial de 1937
Lockheed L-10E
Electra de Amelia Earhart. A aeronave foi modificada, tendo a
maioria das janelas da cabine escurecidas e tanques de combustível foram
adaptados à fuselagem.
Planeamento
Earhart juntou-se ao corpo docente da Purdue University em 1935 como
membro visitante, aconselhando mulheres sobre carreiras e como conselheira
técnica do Departamento de Aeronáutica.[83]
Em julho de 1936, recebeu um Lockheed 10E
Electra financiado por Purdue e iniciou seu projeto de vôo ao redor do mundo.
Não sendo o primeiro vôo a circular o globo, seria o mais longo com 47
000 km de percurso, seguindo uma rota equatorial. Embora o Electra tenha
sido apresentado como um “laboratório voador”, muito pouca ciência foi
utilizada e o vôo parece ter sido planejado à volta da intenção de Earhart em
circumnavegar o globo de modo enquanto angariava material e publicidade para o
seu novo livro. Sua primeira escolha para navegador foi o capitão Harry Manning
que tinha sido capitão do President Roosevelt, navio que trouxe Amelia
de volta da Europa em 1928.
Através de contatos da comunidade de aviação de Los Angeles, Fred Noonan foi escolhido
como segundo navegador de vôo. Havia vários fatores adicionais significativos
que tinham de ser levados em conta durante a navegação celestial em aviões.
Noonan havia deixado recentemente a Pan Am onde havia sido o
responsável pela elaboração da maioria das rotas dos hidroaviões através do
Pacífico. Foi também responsável pelo treinamento dos navegadores da rota entre
São Francisco e Manila. O plano original era Noonan navegar do Hawaii à Ilha Howland, uma das
partes mais difíceis do trajeto; daí Manning continuaria com Earhart até à Austrália e ela
continuaria sozinha o restante do trajeto.
Primeira tentativa
L-R, Paul Mantz, Amelia
Earhart, Harry Manning e Fred Noonan, Oakland, California, 17 de março de 1937
No Dia de São
Patrício, 17 de março
de 1937, eles efetuaram a
primeira parte do vôo de Oakland,
Califórnia até Honolulu, Hawai. Juntamente com
Earhart e Noonan, Harry Manning e Paul Mantz (que atuava como conselheiro
técnico de Earhart) estavam a bordo. Por causa de problemas de lubrificação e
com os propulsores, a aeronave necessitou de manutenção no Hawaii. O Electra
acabou ficando na base naval de Luke Field em Ford Island em Pearl Harbor. O vôo foi
retomado três dias depois de Luke Field com Earhart, Noonan e Manning a bordo,
e durante a decolagem, Earhart rodopiou. As circunstâncias para o ocorrido
permanecem controversas. Algumas testemunhas que estavam em Luke Field
inclusive os jornalistas da Associação de Imprensa, disseram que viram um pneu
explodir. Earhart achou que o pneu direito pode ter explodido e/ou o trem de
pouso direito quebrou. Algumas fontes, como Mantz, acham que houve falha do
piloto.
Como o avião ficou seriamente danificado, o vôo foi cancelado e ele foi
enviado por mar para a fábrica da Lockheed em Burbank,
Califórnia para reparos.
Earhart e Noonan ao
lado do Lockheed L10 Electra em Darwin, Austrália, 28 de junho de 1937.
Segunda tentativa
Enquanto o Electra estava sendo reparado, Earhart e Putnam conseguiram
fundos adicionais e se prepararam para uma segunda tentativa. Agora voando de
oeste para leste, a segunda tentativa começaria com um vôo sem publicidade de
Oakland para Miami, Florida
e após a chegada, Earhart fez o anúncio público de seus planos de voar ao redor
do globo. A alteração do direcionamento do vôo foi provocada pelas mudanças
meteorológicas e de vento ao longo da rota planejada desde a primeira
tentativa. Fred Noonan foi o único membro da tripulação de Earhart no segundo
vôo. Eles partiram de Miami em 1 de junho e após várias escalas na América do
Sul, África, Índia e Sudoeste da Ásia, chegaram em Lae, Nova Guiné em 29 de
junho de 1937. Nesse momento a viagem havia completado cerca de 22.000 milhas
(35.000 km). Restavam 7.000 milhas (11.000 km) sobrevoando o
Pacífico.
Partida de Lae
Em 2 de julho de 1937 (meia-noite GMT) Earhart e Noonan decolaram de Lae no
Electra pesadamente carregado. Seu destino era a Ilha Howland, uma fina faixa
de terra de 2.000 m de comprimento e 500 m de largura, 3 m altura e a
4.113 km de distância. A última posição relatada deles foi próximo às
Ilhas Nukumanu, cerca de 1.300 km depois da decolagem. O “cutter” Itasca
da guarda costeira dos EUA estava na estação de Howland, onde se comunicaria
com o Lockheed Electra 10E de Earhart guiando-os até à ilha, uma vez que
estivessem próximos.
Aproximação final da Ilha Howland
Através de uma série de mal-entendidos ou erros (cujos detalhes
permanecem controvertidos), a aproximação final à Ilha Howland usando a
navegação por rádio não foi bem sucedida. Fred Noonan havia escrito
anteriormente a respeito de problemas que afetavam a confiabilidade necessária
para a navegação através do rádio.
Algumas fontes notaram uma aparente dificuldade de Earhart em entender o
funcionamento da antena Bendix, uma tecnologia moderna naquele tempo. Outra
possível causa de confusão foi que o cutter “Itasca” e Earhart
planejaram sua comunicação utilizando sistemas de tempo com meia hora de
diferença (Earhart usando Greenwich (GCT) e
o “Itasca”, um sistema de designação de zona de tempo naval).
Uma filmagem de Lae sugere que uma antena instalada debaixo
da fuselagem do Electra, que estava pesado e cheio de combustível, pode ter se
desconectado durante o taxiamento ou decolagem da pista de grama de Lae. Na sua
biografia de Paul Mantz (que ajudou no plano de vôo de Earhart e Noonan), o
escritor Don Dwiggins menciona que os pilotos cortaram o longo fio da antena
devido ao aborrecimento de ter que colocá-la novamente no avião a cada uso.
Earhart na cabine do
Electra, c. 1936
Sinais de rádio
Durante a aproximação de Earhart e Noonan da Ilha Howland, o Itasca
recebeu alto e claro, transmissões de Earhart identificando-se como King How
Able Queen Queen(KHAQQ), mas ela aparentemente não conseguiu ouvir as
transmissões do navio.
Às 7:42 a.m. Earhart modulou "Nós devemos estar sobre vocês, mas não
conseguimos vê-los – o combustível está acabando. Não estamos recebendo suas
transmissões por rádio. Estamos voando a 1.000 pés." Sua transmissão às
7:58 a.m. dizia que ela não conseguia ouvir o Itasca e solicitava que
eles enviassem sinais de voz,
para que ela pudesse encontrar um rumo via rádio (essa transmissão foi
reportada pelo Itasca como tendo o sinal mais forte possível, o que
indicava que Earhart e Noonan estavam em área próxima). O “Itasca” não
conseguiu enviar sinal de voz na frequência que ela indicou, então começou a
transmitir em código Morse.
Earhart recebeu o código, porém não conseguiu determinar sua direção.
Em sua última transmissão às 8:43 a.m. Earhart transmitiu "Estamos
alinhados em 157 337. Repetiremos essa mensagem. Repetiremos essa mensagem em
6210 kilociclos.
Aguardem." Porém, poucos momentos depois, ela retornou à mesma freqüência
(3105 kHz) com uma transmissão que foi percebida como “questionável”:
"Estamos indo na linha norte e sul." As transmissões de Earhart
parecem indicar que ela e Noonan acreditavam ter alcançado a posição da ilha
Howland indicada nos mapas, o que estava incorreto por cerca de cinco milhas
náuticas (10 km). O Itasca utilizou as suas caldeiras alimentadas a óleo
para gerar fumaça por um tempo, porém aparentemente os pilotos não a viram.
Muitas nuvens na área ao redor da ilha Howland podem ter ocasionado um erro de
visualização: as sombras refletidas na superfície do oceano podiam ser
indistinguíveis do perfil reduzido e muito plano da ilha.
Se algum sinal de rádio pós-perda foi recebido por Earhart e Noonan,
ninguém sabe. Se as transmissões foram recebidas pelo Electra, a maioria, se
não todas, terão sido fracas e truncadas. As transmissões de Earhart para
Howland foram em 3105 kHz, uma freqüência restrita para uso aeronáutico
nos EUA pelo FCC. Não se
pensava que essa freqüência fosse apropriada para transmissões a grandes
distâncias. Quando Earhart estava em altitude de “cruzeiro” e a meio caminho
entre Lae e Howland (a mais de 1.000 milhas de cada local) nenhuma estação
ouviu sua transmissão às 08:15 GCT. Além disso, o transmissor de 50 watt utilizado por Earhart foi acoplado a
uma antena tipo V menor que o tamanho ideal.
A última transmissão recebida de Earhart na Ilha Howland indicou que ela
e Noonan estavam voando numa linha de posição (calculada de uma “linha de sol”
a 157-337 graus) e que Noonan deve ter calculado e desenhado numa carta
passando por Howland.[99]
Após a perda de contato com a Ilha Howland, foram efetuadas tentativas de
contato com os pilotos através de transmissões de rádio e código Morse. Operadores
do Oceano Pacífico
e dos Estados Unidos poderão ter recebido sinais do Electra, porém eram
incompreensíveis ou fracos..
Algumas dessas transmissões eram apenas ruídos, mas outras foram
consideradas autênticas. Direções calculadas pelas estações da Pan American
Airways sugerem que os sinais originaram-se em vários locais,
incluindo Gardner Island. Foi notado na altura que se esses sinais eram de
Noonan e Earhart, eles teriam que estar sobre terra juntamente com o avião,
pois de outro modo a água teria provocado curto-circuitos no sistema
elétrico do Electra. Sinais esporádicos foram reportados por quatro ou cinco
dias após o desaparecimento, mas nenhum com clareza de informações.. O capitão
do USS Colorado disse mais tarde que "Não havia dúvidas que várias
estações estavam tentando contato com o avião de Earhart através da freqüência
aeronáutica, alguns através de voz outras por sinais. Tudo isso concorreu para
confundir e pôr em dúvida a autenticidade dos relatórios”.
Operações de busca
Aproximadamente uma hora após a última mensagem registrada de
Earhart, o USCG Itasca empreendeu uma busca que se revelaria mal
sucedida, ao norte e oeste da Ilha Howland, baseando-se na suposição inicial
acerca das transmissões da aeronave. A Marinha dos Estados Unidos logo se
juntou à busca e durante três dias, enviou os recursos disponíveis para a busca
nas áreas próximas à Ilha Howland. A busca inicial do Itasca percorreu a
linha de posição 157/337 a NNW da Ilha Howland. O Itasca então procurou
numa área imediatamente a NE da ilha,
correspondendo a, mas um pouco maior que a área de busca a NW. Baseadas nos
rumos de algumas supostas transmissões de Earhart, algumas das operações de
busca foram direcionados para uma posição específica 281 graus a NW da Ilha
Howland, sem encontrar terra ou o menor traço de evidência dos pilotos. Quatro
dias depois da última transmissão verificada de Earhart, em 6 de julho de 1937,
o capitão do navio de guerra USS Colorado (BB-45) recebeu ordens do comando do
14º Distrito Naval americano para utilizar todas as unidades navais e da guarda
costeira a fim de coordenar as operações de busca.
Mais tarde, as buscas foram direcionadas para as ilhas Phoenix, ao sul da
ilha Howland. Uma semana após o desaparecimento, uma aeronave partindo do
Colorado, sobrevoou um grupo de várias ilhas, incluindo ilha Gardner, que
estava desabitada há mais de 40 anos. O relatório subsequente informava:
"Ali existiam sinais de habitação recente claramente visíveis, mas após
repetidos círculos, não obtivemos nenhum tipo de resposta dos possíveis
habitantes, e portanto deduzimos que não havia ninguém lá. Na extremidade
ocidental da ilha vemos um “tramp steamer”(N.T.: tipo de navio a vapor) (de
cerca de 4000 tons). sua proa descansa alta e seca na praia de corais, partido
em dois locais. A lagoa de Gardner parece suficientemente profunda e certamente
larga o suficiente para que um hidroavião ou até mesmo um aerobarco possa
aterrissar ou decolar em qualquer direção com um mínimo de dificuldade. Se a
oportunidade surgisse, acreditamos que a Srta Earhart poderia aterrissar sua
aeronave nessa lagoa e ter nadado e aportado em terra.." Também foi
verificado que o tamanho e dimensão da Gardner, conforme registrados nos mapas,
eram totalmente imprecisos. Outras buscas da Marinha foram direcionadas
novamente para o norte, oeste e sudoeste da Ilha Howland, baseando-se na
possibilidade do Electra ter amarado no oceano e estar flutuando, ou que os
pilotos estivessem jangada de emergência.
As buscas prosseguiram até 19 de julho de 1937. Cerca de 4 milhões de
dólares foram gastos, e a operação da Marinha e da Guarda Costeira foi uma das
mais custosas e intensas da história até aquele momento, mas as técnicas de
busca e salvamento daquela época eram rudimentares e algumas das buscas se
basearam em suposições erradas e informações imprecisas. Os relatórios oficiais
sobre os trabalhos de busca foram influenciados por indivíduos preocupados com
a forma como os seus papéis nos trabalhos de busca de um herói americano
poderiam ser apresentados pela imprensa. Apesar da busca sem precedentes da
Marinha dos Estados Unidos e da Guarda Costeira, nenhuma evidência física de
Earhart, Noonan ou do Electra 10E foi encontrada. O porta-aviões Lexington
da Armada dos Estados Unidos e o couraçado Colorado,
o Itasca (e até dois navios japoneses: o navio oceanográfico Koshu
e o transporte de hidravião auxiliar Kamoi) procuraram por 67 dias,
percorrendo 388.499,81 km².
Imediatamente após a finalização oficial das buscas, G.P. Putnam
financiou uma busca particular pelas autoridades locais de ilhas e águas
próximas do Pacífico, concentrando-se nas ilhas Gilbert. Finalmente
em julho de 1937 Putnam alugou dois pequenos barcos e apesar de permanecer nos
Estados Unidos, direcionou uma busca pelas ilhas Phoenix,ilha Christmas, Tabuaeran,
ilhas Gilbert e ilhas Marshall
mas nenhum vestígio do Electra ou de seus ocupantes foi encontrado.
Teorias sobre o desaparecimento
Muitas teorias surgiram após o desaparecimento de Earhart e Noonan. Duas
possibilidades a respeito do destino dos pilotos prevalecem entre os
investigadores e historiadores.
Teoria de acidente e afundamento
Foto de Amelia Earhart
e Fred Noonan, Los Angeles,
Maio de 1937
Muitos investigadores acreditam que acabou o combustível do Electra e
Earhart e Noonan caíram no mar. O navegador e engenheiro aeronáutico Elgen Long
e sua esposa Marie K. Long investiram 35 anos em exaustiva pesquisa na teoria
de “acidente e afundamento”, a qual é a mais aceita para o desaparecimento. O
capitão Laurance F. Safford, da Marinha dos Estados Unidos, que foi
responsável, durante o período entre guerras, do “Mid Pacific Strategic
Direction Finding Net” e pela decodificação das mensagens japonesas cifradas em
PURPLE durante o ataque a Pearl Harbor,
iniciou uma longa análise do vôo de Earhart durante os anos 1970, incluindo a
intrincada documentação da transmissão de rádio e chegou a conclusão
"planejamento ruim, execução pior." O contra-almirante Richard R.
Black, Marinha dos EUA que estava administrativamente encarregado da ilha
Howland e estava presente na sala de rádio do Itasca afirmou, em 1982,
que “o Electra entrou no mar por volta de 10 a.m., em 2 de julho de 1937 não
muito longe de Howland". O historiador de aviação britânico Roy Nesbit
analisou as evidências de relatos contemporâneos e a correspondência de Putnam,
e concluiu que o Electra de Earhart não fora completamente cheio de combustível
em Lae. William L. Polhemous, o navegador do vôo de Ann Pellegreno em 1967 que
seguiu o plano de vôo original de Earhart e Noonan, estudou as tabelas de
navegação de 2 de julho de 1937 e achou que Noonan pode ter errado nos cálculos
da “linha de aproximação” prevista para “alcançar” Howland.
David Jourdain, antigo capitão de submarino da Marinha e engenheiro
oceânico especializado em salvados em mar profundo, proclamou que qualquer
transmissão atribuída à ilha Gardner era falsa. Através de sua companhia
“Nauticos”, ele procurou exaustivamente num quadrante de 1200 milhas quadradas
ao norte e oeste da Ilha Howland durante duas expedições com sonar em alto mar
de 4,5 milhões de dólares(2002, 2006) e não encontrou nada. Os lugares
procurados foram baseados na linha de posição (157-337) transmitida por Earhart
em 2 de julho de 1937. No entanto, as interpretações de Elgen Long levaram
Jourdan a concluir que "a análise de todos os dados de que dispomos - a
análise de combustível, transmissões rádio e outros - dizem-me que ela caíu ao
mar ao largo de Howland". O enteado de Earhart, George Palmer Putnam Jr.
acreditava que “o avião simplesmente caiu por falta de combustível”. Thomas
Crouch, curador senior do “National Air and Space Museum” disse que o Electra
de Earhart/Noonan está a "5.486,40 m de profundidade" e pode mesmo
produzir uma gama de artefatos que podem rivalizar com os achados do Titanic,
e acrescenta, ".o mistério faz com que nos mantenhamos interessados. Em
parte, lembramo-nos dela porque ela é a nossa pessoa desaparecida
favorita."
Hipótese da ilha Gardner
Imediatamente após o desaparecimento de Earhart e Noonan, a Marinha dos
Estados Unidos, Paul Mantz e a mãe de Earhart (que convenceu G.P. Putnam a
empreender uma busca no grupo Grupo Gardner)[121]
acreditavam que o vôo terminou nas ilhas Phoenix (atualmente
parte de Kiribati),
cerca de 350 milhas ao sudeste da ilha Howland.
A hipótese da ilha Gardner tem sido caraterizada como a “mais
confirmada” explicação sobre o desaparecimento de Earhart. O International
Group for Historic Aircraft Recovery (TIGHAR) sugeriu que
Earhart e Noonan podem ter voado sem efetuarem outras transmissões de
rádio por duas horas e meia ao
longo da linha de posição registrada por Earhart em sua última transmissão
recebida em Howland, chegando à então desabitada ilha Gardner (atualmente Nikumaroro)
no grupo Phoenix, aterrissando numa extensa planície próximo a um grande
cargueiro naufragado e finalmente perecido.
A pesquisa do TIGHAR produziu uma vasta documentação arqueológica e
evidências que sustentam essa hipótese. Por exemplo, em 1940, Gerald Gallagher,
um oficial de carreira britânico
(também piloto licenciado) transmitiu por rádio a seus superiores informando
que havia encontrado um “esqueleto. possivelmente de uma mulher”, com uma
antiga caixa de um sextante, debaixo de uma árvore na parte sudeste da ilha.
Ele recebeu ordens para enviar os restos para Fiji onde em 1941, as autoridades
coloniais britânicas tiraram medidas detalhadas dos ossos e concluíram que eram
de um homem encorpado. No entanto, em 1998 uma análise destas medidas feita por
antropólogos
forenses, indicou que o esqueleto pertencia a uma “mulher branca, alta e de
descendência norte-européia”. Os ossos desapareceram em Fiji há muito tempo.
Artefatos encontrados pelo TIGHAR em Nikumaroro incluíam ferramentas
improvisadas, um painel de alumínio (possivelmente do Electra), um pedaço de vidro acrílico
que tinha exatamente o tamanho e curvatura da janela de um Electra e um tacão
tamanho 9 datando de 1930 que se assemelha aos dos sapatos usados por Earhart
nas fotos dos vôos mundiais. As evidências permanecem circunstanciais mas o
enteado de Earhart, George Putnam Jr., entusiasmou-se com a pesquisa do TIGHAR.
Uma expedição de 15 membros do TIGHAR visitou Nikumaroro de 21 de julho
a 2 de agosto de 2007, procurando por artefatos e DNA com inequivocamente
identificáveis. O grupo incluía engenheiros, ambientalistas, arqueólogos, um
construtor de embarcações, um médico e um cinegrafista. Eles reportaram o
encontro de novos artefatos ainda de origem incerta no atol desgastado pelo
tempo, incluindo rolamentos de bronze que podem ter pertencido à aeronave e um fecho
que pode ter caído da roupa de vôo dela.
Mitos, lendas urbanas e teses sem embasamento
As circunstâncias não esclarecidas do desaparecimento de Amelia Earhart,
por causa de sua fama, atraíram várias especulações sobre seu último vôo e
todas elas foram descartadas por falta de evidências. Várias teorias de
conspiração são bem conhecidas na cultura popular.
Espiões da FDR
Um filme da era da II Guerra Mundial chamado Flight
for Freedom (1943) estrelando Rosalind Russell e Fred
MacMurray promoveu um mito de que Earhart estava espiando os japoneses no
Pacífico a pedido da administração de Franklin Roosevelt. Em
1949, a United Press e a U.S. Army Intelligence concluíram que
esses rumores não tinham fundamento. Jackie Cochran (ela mesma uma pioneira da
aviação e uma das amigas de Earhart) fez uma pesquisa depois da guerra em
numerosos arquivos no Japão e ficou convencida que os japoneses não estiveram
envolvidos no desaparecimento de Earhart.
Saipan
Em 1966, o correspondente da CBS
Fred Goerner publicou um livro onde faz a acusação que Earhart e Noonan foram
capturados e executados quando sua aeronave caiu na ilha Saipan, que faz parte do
arquipélago das ilhas Marianas,
enquanto estava sob domínio dos japoneses.
Thomas E. Devine (que serviu na unidade de correios do Exército)
escreveu Eyewitness: The Amelia Earhart Incident que incluiu uma carta
da filha de um oficial da polícia japonesa que afirmava que seu pai fora
responsável pela execução de Earhart.
O fuzileiro naval dos EUA, Robert Wallack, afirma que junto com outros
soldados, abriu um cofre em Saipan onde encontrarm a pasta de Earhart. O
fuzileiro naval dos EUA, Earskin J. Nabers, disse que enquanto servia como
operador de rádio em Saipan, em 1944, havia decodificado uma mensagem de
oficiais da Marinha que diziam que o avião de Earhart fora encontrado no campo
de vôo de Aslito, que mais tarde ele foi ordenado a guardar o avião e
testemunhou sua destruição. Em 1990 a série de TV da NBC-TV, “Unsolved
Mysteries” televisionou uma entrevista com uma mulher saipanesa que dizia ter
testemunhado a execução de Earhart e Noonan por soldados japoneses. Nenhuma
confirmação ou prova dessas “teses” surgiram. Supostas fotografias de Earhart
em cativeiro foram identificadas como ou sendo fraudulentas ou anteriores ao
seu derradeiro vôo.
Desde o fim da II Guerra Mundial, houve rumores sobre um local em Tinian, que fica a
8 km a sudoeste de Saipan, que supostamente seria a sepultura de dois
pilotos. Em 2004 uma escavação arqueológica não encontrou nenhum osso.
Boato “Tokyo Rose”
Um boato disse que Earhart fazia publicidade em emissoras de rádio sendo
uma das muitas mulheres compelidas a trabalhar como Tokyo Rose esses rumores
foram investigados pessoalmente por George Putnam. De acordo com várias
biografias de Earhart, Putnam investigou pessoalmente esse boato após escutar
várias gravações de Tokyo Roses e ele não reconheceu a voz de Amelia em
nenhuma delas.
Rabaul
David Billings, um engenheiro aeronáutico australiano, afirmou que um
mapa que continha anotações consistentes com o número do motor do avião de
Earhart e o número da construção da sua fuselagem. É originário de uma patrulha
australiana da II Guerra Mundial, baseada na Nova Bretanha na costa da
Nova Guiné e indica um acidente a 64 km para sudoeste de Rabaul. Billings especulou
que Earhart desviou-se da rota para Howland e tentou alcançar Rabaul para
conseguir combustível. Buscas efetuadas no solo foram infrutíferas.
Troca de identidade
Em novembro de 2006, o National
Geographic Channel exibiu dois episódios da série Undiscovered
History sobre o rumor que Earhart sobreviveu ao vôo mundial e se mudou para
Nova Jérsey, com
novo nome, casou e passou a se chamar Irene Craigmile Bolam. Esse boato foi
originalmente levantado no livro Amelia Earhart Lives (1970) por Joe
Klaas. Irene Bolam foi uma banqueira de Nova Iorque durante os anos 1940, negando
ser Earhart, entrou com um processo pedindo 1,5 millhões de dólares por
prejuízos e apresentou uma extensa declaração sob juramento refutando os
boatos. O editor do livro, McGraw-Hill,
retirou o livro do mercado rapidamente, e os registos do tribunal mostram que
foi feito um acordo extra-judicial com Bolam. Logo após, a vida pessoal de
Bolam foi completamente documentada por pesquisadores, eliminando qualquer
possibilidade dela ser Earhart. Kevin Richland, um perito criminal forense
profissional, contratado pela National Geographic, estudou fotos de ambas as
mulheres e citou várias diferenças de medidas faciais entre Earhart e Bolam.
Legado
Amelia Earhart foi uma celebridade internacionalmente conhecida durante
sua vida. Sua timidez carismática, independência, persistência, frieza sob
pressão, coragem e objetivos profissionais definidos somando-se as
circunstâncias de seu desaparecimento ainda jovem, fizeram sua fama na cultura
popular. Centenas de artigos e livros foram escritos sobre sua vida e
freqüentemente é citada como estímulo motivacional, especialmente para
mulheres. Earhart normalmente é lembrada como um ícone feminista.
Recordes e realizações
Recorde
mundial de altitude feminino: 14.000 ft (1922)
Primeira
mulher a voar sobre o Atlântico (1928)
Rercorde
de velocidade de 100 km (e com 226,80 kg de carga) (1931)
Primeira
mulher a voar num autogiro
(1931)
Recorde
de altitude em autogiros: 15 000 pés (4,5 km) (1931)
Primeria
pessoa a cruzar os EUA num autogiro (1932)
Primeira
mulher a voar solo sobre o Atlântico (1932)
Primeira
pessoa a voar solo sobre o Atlântico duas vezes (1932)
Primeira
mulher a receber a “Distinguished Flying Cross” (1932)
Primeira
mulher a efetuar um vôo sem escalas, costa a costa através dos EUA. (1933)
Recorde
transcontinental de velocidade feminino. (1933)
Primeira
pessoa a voar solo através do Pacífico, entre Honolulu, Hawaii e Oakland,
California (1935)
Primeria
pessoa a voar solo de Los Angeles, California a Cidade do Mexico, Mexico (1935)
Primeira
pessoa a voar solo, sem escalas da Cidade do México, Mexico a Newark, Nova
Jersei (1935)
Recorde
de velocidade de vôo leste a oeste de Oakland, California a Honolulu, Hawaii
(1937)
Livros de Earhart
Amelia Earhart teve sucesso e peso como escritora e serviu como editora
aeronáutica na revista Cosmopolitan de 1928 a 1930. Escreveu artigos, colunas
de jornais, ensaios e publicou dois livros baseados em suas experiências de
vida como piloto:
20
h., 40 Min. (1928) noticiário
sobre sua experiência como primeira passageira num vôo transatlântico.
The
Fun of It (1932) memórias sobre
suas experiências de vôo e ensaio sobre a mulher na aviação.
Last
Flight (1937) notícias periódicas
que ela enviava para os Estados Unidos durante sua tentativa de vôo ao redor do
mundo, publicadas semanas antes até sua última decolagem de Nova Guiné.
Organizadas pelo seu marido GP Putnam após seu desaparecimento no Pacífico,
muitos historiadores consideram esse livro como tendo somente parte do trabalho
original de Earhart.
Vôos memoriais
Dois vôos memoriais notáveis feitos por pilotos femininos que seguiram
toda a rota de circunavegação original de Earhart.
Em
1967, Ann Dearing Holtgren Pellegreno e uma tripulação de três, tiveram sucesso
ao voar numa aeronave igual (um Lockheed 10A Electra) e completar um vôo
mundial baseado no plano original de vôo de Earhart. No 30º aniversário de seu
desaparecimento, Pellegreno deixou cair uma grinalda de flores em honra a
Earhart sobre a Ilha Howland e retornou a Oakland, completando 28.000 milhas em
vôo comemorativo em 7 de julho de 1967.
Em
1997, no 60º aniversário do vôo mundial de Amelia Earhart, uma empresária de
San Antonio, Linda Finch refez o trajeto do último vôo de Earhart no mesmo
modelo de aeronave, um Lockheed Electra 10E restaurado de 1935. Finch
aterrissou em 18 países antes de terminar seu vôo dois meses e meio depois,
quando retornou ao aeroporto de Oakland em 28 de maio de 1997.
Em 2001, outro vôo comemorativo refez a rota tomada por Amelia Earhart
em seu vôo transcontinental de agosto de 1928. Dr. Carlene Mendieta voou num
Avro Avian, do mesmo tipo usado em 1928.
Outras honrarias
O
Amelia Earhart Centre And Wildlife Sanctuary foi estabelecido no local
de sua aterrissagem em 1932 na Irlanda do Norte, Ballyarnet Country Park,
Derry.
A
Arvore Earhart foi plantada por Amélia Earhart em Banyan Drive em Hilo,
Hawaii em 1935.
O
Zonta International Amelia Earhart Fellowship Awards foi criado em 1938.
O
Amelia Earhart Memorial Scholarships (criado em 1939 pelas “The
Ninety-Nines”), dá bolsas de estudo para mulheres para pilotagem, em
universidades e cursos técnicos.
Em
1942, foi lançado um navio americano nomeado SS Amelia Earhart (foi
desmontado em 1948).
Amelia
Earhart Field (1947), anteriormente
conhecido como Masters Field e o aeroporto municipal de Miami, após seu fechamento
em 1959, o Amelia Earhart Regional Park foi criado em uma área de terras
desocupadas do governo federal localizada ao norte e oeste do aeroporto
municipal de Miami e ao sul de Opalocka Airport.
O
Purdue University Amelia Earhart Scholarship se baseia no mérito e na
condução de universitários e é aberto a calouros e veteranos inscritos em
qualquer escola no campus de West Lafayette. Após ter acabado nos anos 1970, um
doador reativou o prêmio em 1999.
Selo
Comemorativo Amelia Earhart (8¢ postagem
aérea) foi emitido em 1963 pelo Correio Geral dos Estados Unidos.
O
Prêmio Amelia Earhart de Patrulhamento Aéreo Civil (desde 1964) é dado
aos cadets que completaram as 11 primeiras realizações do programa de cadetes
junto com o recebimento do General Billy Mitchell Award.
Membro
do National Women's Hall of Fame (1973).
O
Local de nascimento de Amelia Earhart,
Atchison, Kansas (um museo e sítio histórico nacional, pertencente e mantido
pelas “The Ninety-Nines”).
Aeroporto
Amelia Earhart, localizado em
Atchison, Kansas.
Ponte
Amelia Earhart, localizada em
Atchison, Kansas.
Escolas
batizadas com o nome de Amelia Earhart são encontradas através dos Estados
Unidos, incluindo: Amelia Earhart Elementary School, em Alameda,
California, Amelia Earhart Elementary School, em Hialeah, Florida e Amelia
Earhart International Baccalaureate World School, em Indio, California.
Amelia
Earhart Hotel, localizado em
Wiesbaden, Alemanha, originalmente usado como hotel para mulheres, depois como
alojamento militar temporário e agora opera como escritório da “United States
Army Contracting Agency”.
Estrada
Amelia Earhart, localizada em
Oklahoma, (quartel general das “The Ninety-Nines”), Oklahoma.
UCI
Irvine Amelia Earhart Award (since
1990).
Amelia
Earhart Intermediate School, localizada
na base aérea de Kadena, Okinawa, Japão.
Membro
do Hall da Fama de Esportes a motor da América (1992).
Earhart
Foundation, localizado em Ann
Arbor, MI. Criado em 1995, a fundação arrecada fundos de pesquisa e bolsas de
estudo através de uma rede de 50 "professores de Earhart"
através dos Estados Unidos.
Amelia
Earhart Festival (evento anual desde
1996), localizado em Atchison, Kansas.
Amelia
Earhart Pioneering Achievement Award,
Atchison, Kansas: Desde 1996, a fundação Cloud L. Cray provê uma bolsa de
estudos de $10,000 a mulheres em instituições educacionais através de escolhas
honorárias..
Amelia
Earhart Earthwork em Warnock Lake Park,
Atchison, Kansas. Stan Herd criou o mural da paisagem de uma das plantações e a
pedra permanente para celebrar o 100º aniversário do nascimento de Earhart.
Localizado em 39.537621° N
95.145158° O e sendo melhor visto pelo ar.
Corona
Earhart, uma Corona
em Venus foi batizada com seu
nome pela International Astronomical Union.
Greater
Miami Aviation Association Amelia Earhart Award para feitos excepcionais (2006); primeiro ganhador:
piloto notável Patricia "Patty" Wagstaff.
Em
6 de dezembro de 2006, o governador da California Arnold
Schwarzenegger e a Primeira Dama Maria Shriver incluíram
Amelia Earhart no "California Hall of Fame" localizado no "The
California Museum for History, Women and the Arts".
USNS
Amelia Earhart (T-AKE-6)
foi batizado em sua honra em maio de 2007.
Cultura popular
A vida de Amelia Earhart estimulou a imaginação de muitos escritores e
outros:
O
filme de Rosalind Russel de 1943 Flight for Freedom baseado na novela, Stand
by to Die, que foi livremente baseada na vida de Earhart, com grande dose
de propaganda de Hollywood
sobre a Segunda Guerra Mundial.
Em
1962 uma peça escrita por Arthur Kopit, "Chamber Music," ambientada
num sanatório, um dos personagens acredita ser Amelia Earhart. Ironicamente, no
contexto da peça, é sugerido que ela pode ser Amelia Earhart, baseada no espaço
de tempo.
Na
novela de David Lippincott dos anos 1970, E Pluribus Bang!, o
protagonista, um velho ex-presidente dos Estados Unidos, desaparece e é levado
para uma ilha do Pacífico onde ele se encontra com uma idosa Earhart que lhe
disse que até sua morte, o juiz Joseph Crater viveu na ilha.
Possivelmente
o primeiro álbum dedicado em tributo a lenda de Amelia Earhart feito por
Plainsong, "In Search of Amelia Earhart", Elektra K42120, feito em
1972. Tanto o álbum quanto o artigo da Press Pak do Elektra são valorizados por
colecionadores e alcançaram um ‘’status cult’’.
A
cantora Joni Mitchell
escreveu uma canção chamada "Amelia" em seu álbum de 1976, Hejira,
baseado no legado de Amelia Earhart.
Uma
produção biográfica de TV de 1976 intitulada Amelia Earhart estrelando
Susan Clark e John Forsythe incluído o vôo do piloto de Holywood Frank Tallman
cujo último parceiro na Tallmantz Aviation, Paul Mantz, tutoriou Earhart nos
anos 1930.
O
livro de Clive Cussler, Sahara(1992) se refere a Earhart em uma história
fictícia sobre outra piloto que também desaparece.
A
campanha publicitária de calças cáqui GAP (1993) caracterizou
Amelia Earhart como parte da série de ícones americanos conectados com a
modernidade e "pioneirismo".
Amelia
Earhart: The Final Flight (1994)
estrelando Diane Keaton,
Rutger Hauer e Bruce Dern
foi inicialmente exibido como um filme de TV e depois serviu como base para
outras peças teatrais.
O
episódio da Star Trek:
Voyager, "The 37's" (1995) sugere que Earhart e Noonan
foram abduzidos por aliens em 1937 e colocados em “hibernação”, até serem
encontrados em 2371; como outras ficções sobre Earhart, um romance entre
Earhart e Noonan está implícito. Earhart e Noonan foram representados nesse
episódio por Sharon Lawrence
e David Graf, respectivamente. (Uma das bases estelares principais da frota
estelar Star Trek
no século 24 foi nomeada posteriormente de Earhart).
I
Was Amelia Earhart (1996) é uma falsa
biografia de Jane Mendelsohn na qual "Earhart" conta a história do
que aconteceu a ela em 1937, “apimentada” com várias doses de romance com seu
navegador.
Flying
Blind (1999) de Max Allan Collins é uma novela
policial no qual o intrépido Nathan Heller é contratado como guarda-costas de
Amelia Earhart. Ao longo da história eles se tornam amantes (seu casamento com
Putnam foi descrito como sendo uma união pró-forma), e mais tarde Heller a
ajuda a escapar dos japoneses que a perseguiram em seu fatídico voo.
O
desaparecimento de Earhart é um dos muitos mistérios mencionados na canção
"Someday We'll Know" (1999) dos New Radicals, mais tarde
compostas por Mandy Moore
e Jonathan Foreman para o filme A Walk to
Remember. A letra diz: "Whatever happened to Amelia
Earhart? Who holds the stars up in the sky?"
O
segundo álbum do cantor/compositor Deb Talan, "Something Burning"
(2000), inicia com uma canção chamada "Thinking Amelia". A canção
sugere que Earhart teve “um dia infeliz”.
Referências
a Earhart foram incluídas entre os icones da campanha publicitária “Think
Different”(2002) da Apple Computer.
É
citada no seriado Friends, em 2003, no episódio Aquele da Loteria.
Ross Geller, personagem de David Schwimmer, a cita duas vezes, mostrando
permancer intrigado com seu desaparecimento.
Na
novela de 2003 de Christopher Moore, Fluke, Earhart sobrevive ao
desastre e aparece com mãe de um dos personagens.
A
canção "Aviator" de Nemo, que aparece em seu LP de estréia de 2004 Signs
of Life, foi composta sobre o último voo de Amelia Earhart.
A
canção "I Miss My Sky," escrita por Heather Nova para seu álbum de
2005 “Redbird, é dedicado à Earhart, sugerindo que ela sobreviveu na ilha
após seu desaparecimento.
O
tocador de banjo Curtis Eller do Curtis Eller's American Circus também
escreveu uma canção sobre o desaparecimento de Earhart, "Amelia
Earhart" na sua coletânea de 2005 "Taking Up Serpents Again".
Uma das letras diz, "disappeared in a cloudbank and the static never
cleared."
O
artista canadense de Hip Hop Buck 65 liga Amelia Earhart a outras
mulheres-ícones como Neko Case e Frida Kahlo na canção
"Blood of a Young Wolf" (2006) do álbum Secret House Against The
World.
O
cantor/compositor ingles Tom McRae em seu quarto álbum King of Cards
(2007) compos uma canção chamada "The Ballad of Amelia Earhart."
O
cantor/compositor de Pop/rock, Jon Mclaughlin, escreveu uma canção intitulada
"Amelia's Missing" (2007); a letra diz: "and Amelia's missing
somewhere out at sea."
O
grupo irlandês
The Corrs compôs a música
"No Frontiers", que diz: "And if life is a wild wind that blows
way on high, And your heart is Amelia dying to fly"
Em
23 de outubro de 2009 é lançado o filme "Amelia" com Hilary Swank no papel de
Amelia Earhart, baseado na biografia escrita por Susan Butler, Mary Lovell e
Elgen Long. A direção é da indiana Mira Nair;
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↑ AE myths
Alguns autores especularam que Earhart e Noonan foram abatidos por aeronaves
japonesas, onde os líderes japoneses podem tê-los vistos como uma suposta de
ameaça de ataque da América.
↑ Time Magazine
o livro de Goerner foi imediatamente criticado, mas um artigo da Time
Magazine incluiu uma nota do almirante Chester W. Nimitz, que
alegou ter dito a Goerner em março de 1965: "Eu quero te dizer que Earhart
e seu navegador caíram nas Marshalls e foram pegos pelos japoneses."
↑ Goerner 1966, p. 304. Note: Goerner discordou em seu livro que o Nimitz
tenha recusado permissão para ser citado.
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