sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Walter Benjamin (1892-1940)



Walter Benedix Schönflies Benjamin (Berlim15 de julho de 1892 — Portbou27 de setembro de 1940) foi umensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão.
Associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, foi fortemente inspirado tanto por autores marxistas, comoGeorg Lukács e Bertolt Brecht, como pelo místico judaico Gerschom Scholem. Conhecedor profundo da língua e cultura francesas, traduziu para alemão importantes obras como Quadros Parisienses de Charles Baudelaire e Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust. O seu trabalho, combinando ideias aparentemente antagónicas doidealismo alemão, do materialismo dialético e do misticismo judaico, constitui um contributo original para a teoriaestética. Entre as suas obras mais conhecidas, contam-se A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica(1936), Teses Sobre o Conceito de História (1940) e a monumental e inacabada Paris, Capital do século XIX, enquanto A Tarefa do Tradutor constitui referência incontornável dos estudos literários.

Walter Benjamin nasceu no seio de uma família judaica. Filho de Emil Benjamin e de Paula Schönflies Benjamin, comerciantes de produtos franceses. Na adolescência Benjamin, perfilhando ideais socialistas, participou no Movimento da Juventude Livre Alemã, colaborando na revista do movimento. Nesta época nota-se uma nítida influência de Nietzsche em suas leituras.

Biografia

Em 1915, conhece Gerschom Gerhard Scholem de quem se torna muito próximo, quer pelo gosto comum pela arte, quer pela religião judaica que estudavam.
Em 1919 defende tese de doutorado, A Crítica de Arte no Romantismo Alemão, que foi aprovada e recomendada para publicação.
Em 1925, Benjamin constatou que a porta da vida acadêmica estava fechada para sí, tendo a sua tese de livre-docência Origem do Drama Barroco Alemão sido rejeitada pelo Departamento de Estética da Universidade de Frankfurt.
Nos últimos anos da década de 1920 o filósofo judeu interessa-se pelo marxismo, e juntamente com o seu companheiro de então, Theodor Adorno, aproxima-se dafilosofia de Georg Lukács. Por esta altura e nos anos seguintes publica resenhas e traduções que lhe trariam reconhecimento como crítico literário, entre elas as séries sobre Charles Baudelaire.
Refugiou-se na Itália, de 1934 a 1935. Neste momento cresciam as tensões entre Benjamin e o Instituto para Pesquisas Sociais, associado ao que ficou conhecida como Escola de Frankfurt, da qual Benjamin foi mais um inspirador do que um membro.
Em 1940, ano da sua morte, Benjamin escreve a sua última obra, considerada por alguns como o mais importante texto revolucionário desde Marx; por outros, como um retrocesso no pensamento benjaminiano: as Teses Sobre o Conceito de História.
A sua morte, desde sempre envolta em mistério, teria ocorrido durante a tentativa de fuga através dos Pirenéus, quando, em Portbou, temendo ser entregue àGestapo, teria cometido o suicídio.

Suas ideias
Benjamin tinha seu ensaio “A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica” na conta de primeira grande teoria materialista da arte. O ponto central desse estudo encontra-se na análise das causas e consequências da destruição da “aura” que envolve as obras de arte, enquanto objetos individualizados e únicos. Com o progresso das técnicas de reprodução, sobretudo do cinema, a aura, dissolvendo-se nas várias reproduções do original, destituiria a obra de arte de seu status de raridade. Para Benjamin, a partir do momento em que a obra fica excluída da atmosfera aristocrática e religiosa, que fazem dela uma coisa para poucos e um objeto de culto, a dissolução da aura atinge dimensões sociais. Essas dimensões seriam resultantes da estreita relação existente entre as transformações técnicas da sociedade e as modificações da percepção estética. A perda da aura e as consequências sociais resultantes desse fato são particularmente sensíveis no cinema, no qual a reprodução de uma obra de arte carrega consigo a possibilidade de uma radical mudança qualitativa na relação das massas com a arte. Embora o cinema, diz Walter Benjamin, exija o uso de toda a personalidade viva do homem, este priva-se de sua aura. Se, no teatro, a aura de um Macbeth, por exemplo, liga-se indissoluvelmente à aura do ator que o representa, tal como essa aura é sentida pelo público, fico, o mesmo não acontece no cinema, no qual a aura dos intérpretes desaparece com a substituição do público pelo aparelho. Na medida em que o ator se torna acessório da cena, não é raro que os próprios acessórios desempenhem o papel de atores. Benjamin considera ainda que a natureza vista pelos olhos difere da natureza vista pela câmara, e esta, ao substituir o espaço onde o homem age conscientemente por outro onde sua ação é inconsciente, possibilita a experiência do inconsciente visual, do mesmo modo que a prática psicanalítica possibilita a experiência do inconsciente instintivo. Exibindo, assim, a reciprocidade de ação entre a matéria e o homem, o cinema seria de grande valia para um pensamento materialista. Adaptado adequadamente ao proletariado que se prepararia para tomar o poder, o cinema tornar-se-ia, em consequência, portador de uma extraordinária esperança histórica. Em suma, a análise de Benjamin mostra que as técnicas de reprodução das obras de arte, provocando a queda da aura, promovem a liquidação do elemento tradicional da herança cultural; mas, por outro lado, esse processo contém um germe positivo, na medida em que possibilita um outro relacionamento dasmassas com a arte, dotando-as de um instrumento eficaz de renovação das estruturas sociais. Trata-se de uma postura otimista, que foi objeto de reflexão crítica por parte de Adorno.
Atualmente a obra de Benjamin exerce grande influência no editor e tradutor de suas obras em italiano, Giorgio Agamben, sobretudo acerca do conceito de Estado de exceção.
Sepulcro de Walter Benjamin

Obras
  • A Modernidade e os Modernos, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.
  • "Haxixe", São Paulo: Editora Brasiliense, 1984.
  • Origem do Drama Barroco Alemão, trad. e pref. Sérgio Paulo Rouanet, São Paulo: Brasiliense, 1984.
  • Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação, 3ª ed., trad. Marcus Vinicius Mazzari, São Paulo: Summus Editorial, 1984.
  • Estéticas do Cinema, ed., apres. e notas Eduardo Geada, trad. Tereza Coelho, Lisboa: D. Quixote, 1985.
  • Obras Escolhidas, v. I, Magia e técnica, arte e política, trad. S.P. Rouanet, São Paulo: Brasiliense, 1985.
  • Obras Escolhidas, v. II, Rua de mão única, trad. de R.R. Torres F. e J.C.M. Barbosa, São Paulo: Brasiliense, 1987.
  • Obras Escolhidas, v. III, Chrales Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo, trad. de J.C.M. Barbosa e H.A. Baptista, São Paulo: Brasiliense, 1989.
  • Documentos de Cultura, Documentos de Barbárie: escritos escolhidos, introd. Willi Bolle, trad. Celeste H. M. Ribeiro de Sousa, São Paulo: Cultrix, 1986.
  • Diário de Moscou, pref. Gerschom Scholem, ed. e notas Gary Smith, trad. Hildegard Herbold, São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
  • Histórias e Contos, trad. Telma Costa, Lisboa: Teorema, 1992.
  • Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política, pref. Theodor W. Adorno, Lisboa: Relógio d`Àgua, 1992.
  • Rua de Sentido Único e Infância em Berlim por Volta de 1900, pref. Susan Sontag, Lisboa: Relógio d`Água, 1992.
  • O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão, trad. pref. e notas de Márcio Seligmann-Silva, São Paulo: Iluminuras/ EDUSP, 1993.
  • Correspondência: Walter Benjamin, Gerschom Scholem, rev. Plinio Martins Filho, São Paulo: Perspectiva, 1993.
  • Kafka, trad. e introd. Ernesto Sampaio, Lisboa, Hiena, 1994.
  • Os Sonetos de Walter Benjamin, trad. Vasco Graça Moura, Porto: Campo das Letras, 1999.
  • Leituras de Walter Benjamin, org. Márcio Seligmann-Silva, São Paulo: FAPESP, 1999.
  • Origem do Drama Trágico Alemão, ed., apres. e trad. João Barrento, Lisboa: Assírio & Alvim, 2004.
  • Imagens de Pensamento, trad. João Barrento, Lisboa: Assírio & Alvim, 2004.
  • Passagens, org. W. Bolle, São Paulo: IMESP, 2006.
Benjamin, Andrew, A Filosofia de Walter Benjamin, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1997.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"O Mundo de Soma Zero" de Gideon Rachman



Durante os últimos trinta anos, todas as grandes potências mundiais aderiram à globalização. Mas a crise económica que atingiu o mundo em 2008 alterou drasticamente a lógica das relações internacionais. O benefício da globalização para essas grandes potências já não é tão evidente. Os Estados Unidos e a União Europeia enfrentam dificuldades cada vez maiores que decorrem da ascensão política e económica da China e de outras economias emergentes. O mundo também se debate com um conjunto de problemas verdadeiramente globais que vão das alterações climáticas à proliferação do nuclear - questões que estão a causar rivalidades e divisões entre os países. Após um longo período de cooperação internacional, o conflito está de regresso à política global. O mundo de sucesso mútuo está a dar lugar ao mundo de soma zero.

Gideon Rachman

Após 15 anos a trabalhar na revista The Economist, Gideon Rachman juntou-se, em Julho de 2006, à equipa do Financial Times, onde publica uma crónica semanal. Tem ainda um excelente blog sobre a política externa americana, a Europa e a globalização

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"As Guerras de Napoleão" de Charles Esdaile

Nenhum outro soldado provocou tanto ódio e admiração como Napoleão Bonaparte. O autoproclamado imperador francês foi um conquistador ou um libertador? Um agressor ou uma vítima? Um pecador ou um santo? O prestigiado historiador inglês Charles Esdaile repensou a figura do general francês para além das lendas e do mito, que o próprio ajudou a criar, para abrir um novo entendimento sobre esta figura, o seu caráter, as suas políticas e a sua carreira militar internacional. Não se trata apenas de uma biografia, nem da análise das campanhas napoleónicas, mas sim de um estudo mais abrangente, sobre as guerras na Europa. Da Península Ibérica à Rússia, dos Balcãs à Escandinávia, da Polónia à Turquia, o historiador conta-nos episódios militares como a entrada do exército francês em Berlim, depois das batalhas de Jena e Auestadt, relata-nos o confronto sangrento que tomou a vida a dez mil franceses na batalha de Smolensk, bem como a terrível batalha de Borodino a 7 de setembro de 1812, na caminhada até Moscovo.

Chales Esdaile

Charles Esdaile é um dos historiadores napoleónicos mais prestigiados de Inglaterra. É professor de História na Universidade de Liverpool. O seu nome está ligado a um trabalho exaustivo sobre a guerra em Espanha e Portugal, sobre a qual escreveu vários livros entre os quais destacamos The Peninsular War: A New History. «Esplêndido…. uma alegria lê-lo.», Literary Review; «De longe a melhor história de Napoleão… é a definitiva palavra sobre esta matéria.», Daily Telegraph; «Um estudo magnífico.»Spectator

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O CHALET DA MEMÓRIA, de Tony Judt


Num texto pungente, resultante de um processo de criação invulgar, Tony Judt guia-nos pelas suas memórias, sejam as ruas da Putney da infância, as reminiscências dos seus tempos de estudante ou o poder das palavras.
Cada pequeno ensaio evoca uma memória: um episódio do passado, um cheiro, uma vivência, um local, uma viagem de carro pelos Estados Unidos – tudo serve de pretexto para um propósito duplo; a já citada evocação da memória mas, também, para que se exerça a poderosa capacidade analítica do autor, seja das experiências do Maio de 68 ou dos kibbutzim, ou do passado judaico da família.
Chalet da Memória é, pois, um livro de memórias insólito e um pequeno excurso pelo passado do autor – um dos últimos grandes intelectuais públicos – e também por momentos marcantes da vida da Europa.

Tony Judt


Nos últimos anos, Judt lecionava na Universidade de Nova York, na cadeira de Estudos Europeus. Em 2006 foi finalista do Prêmio Pulitzer com o livro "Pós-Guerra", uma análise na Europa de meados da década de 1940 até os primeiros anos do novo milênio.
Em março de 2008, Judt foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica. Em outubro de 2009, em consequencia das complicações de sua doença perdeu os movimentos do pescoço para baixo. Tendo sua morte no dia 6 de agosto de 2010.
Principais obras:
  • "Um Tratado Sobre Os Nossos Actuais Descontentamentos";
  • Reflexões sobre um Século Esquecido - 1901-2000;
  • Passado Imperfeito;
  • Pós-Guerra - Uma História da Europa desde 1945, entre outras.