quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"A Montanha Magica" de Thomas Mann



A Montanha Mágica (no original em alemão Der Zauberberg) é um livro escrito por Thomas Mann em 1924. Um dos romances mais influentes da literatura mundial do século XX, foi importante para a conquista do Prêmio Nobel de Literatura em 1929 por Mann. É um exemplo clássico da literatura que os alemães classificam como Bildungsroman.
Sobre a obra, Malcolm Bradbury escreve:
"Seria, segundo ele [Mann], uma viagem à decadência; contudo, ele também a qualificou como a busca da ‘idéia do homem, o conceito de uma humanidade futura que vivenciou o mais profundo conhecimento da doença e da morte’... 
Thomas Mann iniciou a escrita de "A montanha mágica" em 1912, o mesmo ano em que sua mulher Katharina Mann (Katia) foi internada num sanatório de Davos na Suíça, para se curar de uma tuberculose. O livro teria sido inspirado nesse episódio.
Em 1915, Thomas Mann interrompeu o seu trabalho no manuscrito, indeciso sobre o fim a dar ao romance. Nesta altura, Mann encontra-se em conflito com o irmão Heinrich Mann, um apoiante da França e dos aliados, que desprezava o espírito filisteu, provinciano, totalitário, acrítico dos alemães e de seu Kaiser Wilhelm II, como tinha ficado bem patente no seu romance "Der Untertan" (o súdito), publicado pouco antes do início da Guerra. Thomas Mann era, por contraponto ao irmão, nesta altura, (ainda) um espírito mais arreigado às suas raízes culturais e à sua pátria. Apenas mais tarde, na Segunda Guerra Mundial, Thomas Mann viria a adquirir um espírito mais crítico sobre a sua própria sociedade e cultura. Em "Reflexões de um homem não-político", de 1918, Thomas Mann defende a cultura alemã contra aquilo que ele afirma ser uma ideologia dogmática do ocidente. Como se disse, Thomas Mann iria mudar muito na Segunda Guerra Mundial, onde estará abertamente ao lado dessa suposta ideologia. Thomas Mann continuou a escrever "A montanha mágica" em 1919, já depois da guerra. Terminaria o romance apenas em 1924, ano da publicação. Entretanto, muitas observações dele sobre a experiência da Alemanha na República de Weimar tinham influenciado o livro.
Enredo
pastedGraphic.pdf Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo (spoilers).
Às vezes apontado como um livro sem enredo, a obra trata da história de um jovem engenheiro naval alemão, de Hamburgo, chamado Hans Castorp. Ele visita o primo Joachim Ziemssen num sanatório destinado ao tratamento de doenças respiratórias localizado em Davos, nos Alpes suíços, pouco antes do começo da Primeira Guerra Mundial. Apesar de ser encaminhado ao sanatório apenas para uma visita e para tratar uma anemia, Hans Castorp vai aos poucos mostrando sinais de que tem tuberculose pulmonar e acaba estendendo sua visita ao sanatório por meses e anos, pois sua saída é sempre adiada por causa da doença.
Nesse período, Castorp, pouco a pouco, afasta-se da vida "na planície" e conquista o que chama de liberdade da vida normal. Desliga-se do tempo, da carreira e da família e é atraído pela doença, pela introspecção e pela morte. Ao mesmo tempo, amadurece e trava contato mais profundo com a política, a arte, a cultura, a religião, a filosofia, a fragilidade humana (incluindo a morte e o suicídio), o caráter subjetivo do tempo (um dos temas mais importantes da obra) e o amor.
O sanatório forma um microcosmo europeu. Os numerosos personagens do livro, muitos com descrições e reflexões detalhadas, são representações de tendências e pensamentos que predominavam na europa do pré-grande-guerra, conhecido como o período dos anos loucos. Em particular os personagens Lodovico Settembrini (humanista e enciclopedista) e Leo Naphta (um jesuíta totalitário) representam o contraste entre ideias liberais e conservadoras, respectivamente.
Também se destacam o hedonista Mynheer Peeperkorn e Madame Clawdia Chauchat, por quem Castorp desenvolve interesse romântico e sutilmente sensual, cujo climax está genialmente descrito por Mann em páginas verdadeiramente universais.
A subjetividade da passagem do tempo abordada por Mann reflete-se na estrutura do livro. A narrativa é ordenada cronologicamente, mas acelera ao longo do romance. Desse modo, os primeiros cinco capítulos relatam apenas o primeiro dos anos de Castorp no sanatório, em grande detalhe. Os restantes seis anos, marcados pela monotonia e pela rotina, são descritos nos últimos dois capítulos. Essa assimetria corresponde à própria percepção distorcida de Castorp quanto à passagem do tempo.
No final da narrativa, inicia-se a Grande Guerra, Castorp une-se às fileiras do exército, e sua morte iminente no campo de batalha é sugerida. Apesar do processo de amadurecimento do personagem ao longo do livro, não está claro, no final, se ele formou uma sólida individualidade, e sua última aparição se dá como um soldado anônimo, entre milhares, em um campo de batalha qualquer da Primeira Guerra Mundial.
Ver também
Referências
  1. The Literary Encyclopedia. (em inglês)]
  1. BRADBURY, Malcolm. O mundo moderno: dez grandes escritores. Trad. Paulo H. Brito. São Paulo: Companhia das Letras, 1989; p.110.
Ligações externas

Thomas Mann (1875 - 1955)


Thomas Mann (Lübeck, 6 de Junho de 1875Zurique, 12 de Agosto de 1955) foi um romancista alemão.
É considerado por alguns como um dos maiores romancistas do século XX, tendo recebido o Nobel de Literatura de 1929. Foi o irmão mais novo do romancista Heinrich Mann e o pai de Klaus, Erika, Golo (aliás Angelus Gottfried Thomas), Monika, Elisabeth e Michael Thomas Mann.
Notas Biográficas
Filho do comerciante Johann Heinrich Mann e da brasileira Júlia da Silva Bruhns, nasceu no estado de Schleswig-Holstein, norte da Alemanha, onde mais de 90% da população é protestante. A família de Thomas Mann detinha ali um negócio havia várias gerações.
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Thomas (sentado) e o irmão Heinrich Mann numa fotografia tirada por volta de 1900. Nesta altura Heinrich tinha já publicado pelos menos dois livros, enquanto que o "Buddenbrooks" de Thomas estava prestes a sair
Em 1892 (quando tinha 17 anos) morre o seu pai, com o que os negócios da família são abandonados. No ano seguinte, ele escreve alguns textos em prosa e artigos para a revista "Der Frühlingssturm" (a tempestade de Primavera) que ele co-edita. Na mesma época, apaixona-se por Wilri Timppe, filho de um de seus professores. Anos mais tarde, inspirar-se-ia em Timppe para criar Pribslav Hippe, personagem de "A Montanha Mágica".
Em 1894 (com 19 anos) junta-se à mãe em Munique, cidade católica do sul da Alemanha. Júlia tinha mudado para Munique com o resto da família um ano antes e se instalado no bairro boêmio de Schwabing. Rapidamente, a Senhora Mann tornou-se uma agitadora cultural e oferecia saraus literários e festas em sua casa.
Em Munique, Mann fez um estágio não remunerado numa sociedade de seguros, mas acabou por abandonar esta atividade em 1895, tornando-se escritor livre.
Entre 1896 e 1898, Thomas Mann tem uma longa visita a Palestrina (Itália), de visita ao seu irmão mais velho Heinrich Mann, também ele um romancista e que se tornou famoso mais cedo do que Thomas. Thomas acompanha o irmão nos seus passeios a Roma e por outros lugares da Itália. Thomas Mann começou a trabalhar no manuscrito de "Buddenbrooks" em Itália. De volta a Munique, tornou-se um dos editores do jornal satírico/humorístico "Simplicissimus".
Por essa época, apaixonou-se por Paul Ehrenberg, um amor conturbado e não correspondido, mas que definiria mais tarde como a "experiência central de seu coração". Resolve servir o exército, mas se arrepende. A família intervém e corrompe um médico para conseguir afastá-lo por falsos problemas de saúde.
Em 1901 é editado "Buddenbrooks". Thomas Mann torna-se famoso. Curiosamente, o editor (Fischer Verlag) tentou convencer Thomas Mann a encurtar o livro. Thomas Mann não assentiu e o livro foi publicado na íntegra. Em jeito de retrospectiva, Thomas Mann disse que julgava que o livro iria passar despercebido e seria possivelmente o fim da sua carreira literária. A realidade foi bem diferente, como ele conclui com ironia.
Segundo Mayer (1970, p. 30), é a partir de Os Buddenbrooks (1901) que se torna um dos escritores mais notáveis do século XX no plano internacional.
A 11 de Fevereiro de 1905, casou-se com Suzane dos santos procopio, pertencente a uma proeminente e secular família judia de intelectuais. Katia era neta da activista pelos direitos da mulher Hedwig Dohm. Nos anos seguintes nascem seus filhos Erika, Klaus, Golo (na verdade Angelus Gottfried Thomas), Monika, Elisabeth e Michael.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Thomas Mann entra em conflito com o irmão Heinrich Mann. Não se irão encontrar por alguns anos. Thomas acolheu com agrado a entrada da Alemanha na guerra. Tomava-se por patriota. Defendeu a política do Kaiser Guilherme II, em oposição directa a Heinrich Mann, que se via do lado da França e da "Civilization" (termo de Thomas). Thomas Mann chegou mesmo a penhorar a casa que possuía em Bad Tölz em 1917 a favor do esforço de guerra. A mãe, Júlia da Silva Bruhns, escreveu aos irmãos tentando amenizar o conflito. A perspectiva de Thomas Mann ao longo deste período encontra-se sumariada no ensaio «Considerações de um Apolítico» (1918) e no romance «A Montanha Mágica», escrito entre 1912 e 1924.
Em 1911, concebe a novela Morte em Veneza, durante uma estada no Lido de Veneza. A obra é publicada no ano seguinte, 1912, e, embora menos diretamente autobiográfica que Os Buddenbrooks, “trata-se da obra mais confessional de Thomas Mann”, afirma Trigo (2000).
Em 1929, Thomas Mann torna-se ainda mais famoso, recebendo o Nobel de Literatura. O júri justifica-se aludindo a Buddenbrooks. Nenhuma menção a "A montanha mágica", romance em que o escritor revela simpatias democráticas.
Emigrou da Alemanha Nazista para Küsnacht, próximo a Zurique, Suíça, em 1933, o ano da chegada ao poder de Hitler. Durante o regime nazista, o jornal Völkischer Beobachter (Observador Popular) publicava as chamadas listas de expatriados. Os nomes de Thomas Mann, sua mulher e seus filhos mais novos constavam da lista número 7. Dos mais velhos – Erika e Klaus – já havia sido retirada a cidadania alemã.
Após ter perdido a nacionalidade alemã a 2 de dezembro de 1936, Thomas Mann permaneceu na Suíça até 1938, mudando-se então para os Estados Unidos. Inicialmente, trabalha como convidado em Princeton, mas o ambiente acadêmico o entediava. Assim, decide mudar para Pacific Palisades, Estados Unidos, em 1941. Em 1944, obteve a cidadania americana. Tornou-se uma figura política reconhecida e consta que Franklin D. Roosevelt chegou a cotar seu nome para assumir o governo alemão na pós-guerra.
Diante da perseguição aos intelectuais emigrados perpetrada durante o mccarthismo, Mann retornou à Europa em 1952. Viveu em Kilchberg, próximo de Zurique, na Suíça, até à sua morte, em 1955. Encontra-se sepultado em Kilchberg Village Cemetery, Kilchberg, Zurique na Suíça.[2]
Sua descendência de uma família da alta burguesia sempre fora salientada por Mann. Ao falar dessa classe, o autor se refere à burguesia da Idade Média, à “antiga tradição de que se sente profundamente imbuído, tradição de trabalho leal e minucioso, visando a perfeição absoluta nos detalhes e no todo” (Rosenfeld, 1994, p. 21).
Obras
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Esta casa na rua Heiß em Bad Tölz, 50 km a sul de Munique, na proximidade dos Alpes, pertenceu a Thomas Mann entre 1909 e 1917. Thomas Mann, então residente em Munique, já casado com Katia Pringsheim, passava aqui o Verão
Thomas Mann ganhou repercussão internacional, aos 26 anos, com sua primeira obra, Os Buddenbrook (Buddenbrooks), um romance que conta a história de uma família protestante de comerciantes de cereais de Lübeck ao longo de três gerações. Fortemente inspirado na história de sua própria família, o romance foi lido com especial interesse pelos leitores de Lübeck que descobriram ali muitos traços de personalidades conhecidas. A publicação deste livro valeu a Thomas Mann uma reprimenda de um tio, que o acusou de ser um "pássaro que emporcalhou o próprio ninho".
Thomas Mann é também um romancista analítico, que descreve como poucos a tensão entre o carácter nórdico, protestante, frio e ascético (características típicas da sua Lübeck natal) e as personagens mais rústicas, simples, bonacheironas, das regiões católicas, de onde se destaca o senhor "Permaneder", o paradigma do bávaro de Munique, em "Os Buddenbrook". Esta tensão interior tornou-se patente durante a sua estada em Palestrina, Itália, quando visitava o irmão, e onde começou a escrever "Os Buddenbrook". Thomas Mann viveu entre estes dois mundos, tal como o irmão. Por um lado a origem familiar e o ambiente da ética protestante de Lübeck, por outro lado a voz interior e a influência de sua mãe brasileira, que o faziam interessar-se menos pelos negócios e mais pela literatura. A influência da mãe acabou por levar a melhor. Thomas Mann via nos Buddenbrook um exemplo de uma família em decadência,em que os descendentes não saberiam levar avante o negócio que herdaram. Não sabia, no entanto, que, ao publicar "Os Buddenbrook",estava, não só a enterrar definitivamente a linha "comerciante" da sua família mas, também, a afirmar-se como um escritor de renome. Ironicamente, os seus filhos iriam manter esta nova tradição (literária) da família, em especial Klaus e Erika.
No romance A Montanha Mágica ("Der Zauberberg"), publicado pela primeira vez em 1924, Thomas Mann faz um retrato de uma Europa em ebulição, no eclodir da Primeira Guerra Mundial.
Escreveu romances, ensaios e contos. Psicólogo penetrante e estilista consumado,a sua extensa obra abrange desde contos até escritos políticos, passando por novelas e ensaios. Nobel de Literatura em 1929, Thomas Mann é autor de clássicos da literatura como Morte em Veneza & Tonio Kröger, Confissões do impostor Felix Krull, As cabeças trocadas e José e seus irmãos.
Thomas Mann foi um herdeiro tardio da tradição idealista e romântica alemã e um dos principais autores modernos. Era um clássico em tempos de revolução e conseguia refletir de forma original e particular o espírito de seu tempo (ver TRIGO, 2000). Sua obra apresenta descrições minuciosas e um realismo psicológico e preciso, com análise exata de cada particularidade (ver Fleischer, 1964). A obra de Mann é uma expressão estética do esforço de contrapor seus dois valores essenciais: de um lado a sociedade, o senso comum, o valor da vida; do outro a alienação, o individualismo, o escapismo romântico, o jogo estético, que culminam na doença e na morte (Rosenfeld, 1994, pp. 22-23). Sente-se, no entanto, ligado ao segundo valor, sendo ele um artista “alienado, marginal e estetizante” (ROSENFELD, 1994, p. 28).
Cronologia
  • 6 de Junho de 1875 - Nascimento de Thomas Mann.
  • 1900 (com 25 anos) - Publicação do "Buddenbrooks" - Thomas Mann torna-se famoso.
  • 1911 (com 36 anos) – Durante uma estada no Lido de Veneza concebe Morte em Veneza.
  • 1915 (com 40 anos) - Publicação de ensaio sobre Friedrich, o Grande da Prússia. Mann justifica a entrada da Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Corta relações com seu irmão Heinrich, do lado da "civilização".
  • 1918 (43 anos) - Publicação de "Considerações de um apolítico" - Mann demonstra aqui estar ainda na sua fase nacionalista conservadora. Mantém a sua defesa da política da Alemanha. Ainda um monarquista.
  • 1921 (46 anos) – Primeiro ensaio sobre Goethe, intitulado Goethe e Tolstoi, que apresenta em forma de conferência.
  • 1922 (47 anos) - Famoso discurso de Thomas Mann em Berlim - "Von deutscher Republik" - Defende a República de Weimar. Thomas Mann é um "Vernunftrepublikaner" (Republicano por motivos racionais - e não emocionais). Nesse mesmo ano teve lugar um acontecimento apontado por alguns historiadores (como Manfred Görtemaker) que terão levado Thomas Mann a transformar-se politicamente (favoravelmente à democracia): o assassínio do ministro dos negócios estrangeiros, o judeu Walter Rathenau, por elementos da extrema esquerda próximos de Hitler.
  • 1924 (com 49 anos) – termina A Montanha Mágica.
  • 1929 (com 54 anos) - É agraciado com o prêmio Nobel de Literatura , pelo livro "Buddenbrooks".
  • 1930 (55 anos) - Novo discurso famoso em Berlim, no Beethoven-Saal - Deutsche Ansprache, ein Appel an die Vernunft" - Um apelo à razão, tentativa de aviso aos alemães perante o perigo do Nazismo.
  • 1933 (58 anos) - Chegada ao poder de Adolf Hitler. Thomas Mann passa a viver no exílio, na Suíça.
  • 1938 (63 anos) - Exílio de Thomas Mann nos Estados Unidos.
  • 1 de Setembro de 1939 (64 anos) - Tem início a Segunda Guerra Mundial.
  • 1940-1945 Thomas Mann grava para a BBC um programa de rádio regular ("Deutsche Hörer!" - Ouvintes alemães!), retransmitido pela BBC na Alemanha, apelando os alemães à razão. Os ouvintes alemães arriscavam a vida ao sintonizar essas emissões de rádio dos ingleses.
  • 1949 (74 anos) - Viagem à Alemanha. Mann discursa em Frankfurt-am-Main e em Weimar, na comemoração dos 200 anos de Goethe, natural de Frankfurt-am-Main.
  • 1950 (75 anos) - Publicação de Dr. Faustus.
  • 1952 (77 anos) - Thomas Mann vai viver para a Suíça.
  • 12 de Agosto de 1955 (80 anos) - Falecimento de Thomas Mann em Zurique, Suíça.
Obras
  • Der kleine Herr Friedemann (1898)
  • Sua Alteza Real (1909) = Königliche Hoheit
  • A Morte em Veneza (1912) = Der Tod in Venedig
  • Betrachtungen eines Unpolitischen (Considerações de um apolítico) (1918)
  • The German Republic (1922) = Von deutscher Republik
  • Disorder and Early Sorrow (1926) = Unordnung und frühes Leid
  • Mario e o Mágico (1930)
  • José e seus Irmãos (1933-1943) = Joseph und seine Brüder
    • As Histórias de Jacó (1933)
    • O Jovem José (1934)
    • José no Egito (1936)
    • José, o Provedor (1943)
  • Das Problem der Freiheit (1937)
  • Lotte in Weimar or The Beloved Returns (1939)
  • As Cabeças Trocadas (1940) = Die vertauschten Köpfe - Eine indische Legende
  • Der Erwählte (1951)
  • Confissões do Impostor Félix Krull (1922/1954) = Bekenntnisse des Hochstaplers Felix Krull. Der Memoiren erster Teil 


"Hulk: Tempus Fugit"



Um deles é gigantesco e verde. O outro magro e reservado. Um é o arquétipo da fúria cega e da destruição. O outro é calmo e racional. Um foi criado numa explosão de raios gama. O outro é um físico atómico brilhante. Um é o alterego do outro... Duas personalidades que partilham o mesmo corpo, sujeito à mais terrível das transformações. Juntos são uma das maiores personagens do Universo Marvel... O incrível Hulk!
Quando criaram o Hulk, Stan Lee e Jack Kirby mal sabiam que estavam a criar um dos maiores ícones da Marvel. Inicialmente concebido como um misto de Jekyll e Hyde com monstro de Frankenstein, o Hulk tornou-se na encarnação do medo da ameaça nuclear de uma geração. Este volume reúne uma das melhores aventuras do gigante verde, escrita por Peter David, talvez o mais marcante argumentista da série. Preso numa misteriosa ilha, num cenário inspirado na tempestade de Shakespeare, esta saga revela alguns dos segredos das personalidades múltiplas de Bruce Banner e do Hulk.
Histórias:
Tempest Fugit primeira parte
Tempest Fugit segunda parte
Tempest Fugit terceira parte
Tempest Fugit quarta parte
Tempest Fugit quinta parte
Uivos silenciosos
Ele está de volta!
A reconciliação

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

"Bizancio, O Império Da Nova Roma" de Cyril Mango



Fundada pelo imperador Constantino, o Grande, no ano 324, como sendo "a Nova Roma", a cidade de Constantinopla tornar-se-ia o centro do poderoso e heterogéneo mundo bizantino...
Fundada pelo imperador Constantino, o Grande, no ano 324, como sendo "a Nova Roma", a cidade de Constantinopla tornar-se-ia o centro do poderoso e heterogéneo mundo bizantino, um vasto império que durante séculos foi o centro do mundo ocidental, mas também placa giratória de povos e culturas, e, por fim, a última linha de defesa contra a ameaça turca. Até cair às mãos dos Turcos, em 1453, acontecimento fundador de uma nova era, a cidade foi a capital de um império que se estendia de Gibraltar às margens do Eufrates, e os vestígios da sua influência ainda hoje são visíveis, seja em traços arquitectónicos no Norte de África, ou em Istambul, nome actual da antiga Constantinopla.

Cyril Mango


Cyril A. Mango nasceu em Istambul em 1928. É um especialista britânico de História, de Arte e de Arquitectura do Império Bizantino. Foi professor, em Oxford, de Língua e Literatura Moderna Grega e Bizantina.

"Vingadores: Zona Vermelha"



Chegou por fim o dia em que os heróis de todo o mundo se uniram contra uma ameaça comum. Nesse dia nasceram os Vingadores, para lutar contra os inimigos que nenhum herói poderia vencer sozinho. Ao longo dos anos, a sua composição variou muitas vezes, mas nunca deixaram de responder ao apelo de... Avante Vingadores!
Um poderoso super-vilão conseguiu o impossível: infiltrar o governo dos Estados Unidos, e assim autorizar a utilização de armas biológicas na zona do monte Rushmore. Apenas os Vingadores poderão conter este perigo. Foi para missões como esta que nasceram os heróis mais poderosos da Terra!
Histórias:
Os verdadeiros poderes
Corações partidos
Longe da vista...
Zona vermelha: parte 1 ataque de pânico
Zona vermelha: parte 2 infecções
Zona vermelha: parte 3 desclassificado
Zona vermelha: parte 4 a grande evasão
Zona vermelha: parte 5 a grande evasão
Zona vermelha: parte 6 a grande evasão

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

"Gabriela, Cravo e Canela" de Jorge Amado


Gabriela, a mulata com a cor da canela e o cheiro do cravo, ficará na literatura como uma formosa figura de mulher, simples e espontânea, acima do Bem e do Mal. Com o seu inigualável lirismo e inspiração poética, Jorge Amado cria personagens inesquecíveis, e o comovente romance de amor do árabe Nacib e da mulata Gabriela coloca-os, sem dúvida, na galeria dos amantes da História da Literatura. Mas "Gabriela, Cravo e Canela" é mais do que a história de amor do árabe Nacib e da sertaneja Gabriela. É a crónica de uma pequena cidade baiana, Ilhéus, quando passava por bruscas transformações, por volta do ano de 1925. A riqueza trazida pelo cacau possibilitara o desenvolvimento urbanístico e o progresso económico, transformando profundamente a fisionomia da cidade. Pouco evoluíam, no entanto, os costumes dos habitantes, imperando, naquele cenário de violência, a lei dos mais fortes - os fazendeiros - que tendo a seu trabalho os jagunços, impunham o domínio do ódio e do terror. Sensual e inocente, sábia e pueril, a cozinheira Gabriela conquista não apenas o coração de Nacib e de uma porção de ilheenses, mas também o de leitores de vários países e gerações. Levada para a televisão, a sua história transformou-se numa das telenovelas brasileiras de maior sucesso pelo mundo fora. No cinema, o papel de Nacib é vivido por Marcello Mastroianni, e o de Gabriela por Sônia Braga, como já acontecera na novela.

Jorge Amado (1912 - 2001)


Mais do que um romancista, o escritor baiano Jorge Amado, cujo centenário do nascimento se celebra hoje, foi um pensador do Brasil e do povo brasileiro. Por cá, Viana do Castelo vai atribuir-lhe o nome a uma das alas da biblioteca e a uma nova rua da cidade que ele tanto amava.





"O Brasil sempre foi carente de uma filosofia própria e Jorge Amado criou as principais chaves para entender o Brasil e o seu povo", explicou à LUSA o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Muniz Sodré.

Filho de um fazendeiro de cacau, Jorge Amado conviveu desde cedo com a forte presença africana no estado da Baía, no nordeste brasileiro, cenário que influenciaria todas as suas futuras histórias.
Grande parte dos seus protagonistas são típicos representantes do povo, que revelam tradições e crenças até então pouco conhecidos pela classe média brasileira, em especial o culto afro-brasileiro conhecido como candomblé.
"Os cultos afro-brasileiros como o candomblé surgem no cenário baiano para agrupar os africanos nessa situação difícil da diáspora, do sofrimento da escravidão. É um elemento que conjuga todas as várias etnias africanas [levadas para o Brasil] numa mesma tradição, que usa como estratégia da ‘família de santo', não biológica", explica Sodré.
Com as inúmeras novelas de Jorge Amado - muitas das quais protagonizadas por negros e mulatos - as crenças e tradições dos afrodescendentes foram evidenciadas como um dos paradigmas da criação do povo brasileiro, em contraposição com a cultura europeia, até então ensinada como a principal influência.
O próprio Governo brasileiro, ainda na década de 1920, entendia a mestiçagem como um fenómeno formador da sociedade nacional, mais como forma de "branqueamento" do negro, do que valorização da cultura negra.
Entre as principais caraterísticas desse paradigma afro-brasileiro, evidenciado na obra de Amado, Sodré destaca a importância do "presente" - por oposição ao futuro promissor no paraíso, prometido pela religião católica - de relações interpessoais concretas - fortes laços de amizade, vizinhança e parentesco; e da alegria face ao real.
"Não diria que o candomblé é a religião do amor, como é o catolicismo. É um culto da alegria, que não tem a ver com dar risadas, mas com aceitar o real como ele é", sintetiza Sodré.
Para o professor, toda essa crença está também inequivocamente ligada à política.
"Jorge Amado dá continuidade, através da literatura, à luta afirmativa de um povo e confere soberania à raça negra no Brasil", completa o estudioso.
Membro ativo do Partido Comunista Brasileiro (PCB) até meados da década de 1950, Jorge Amado dizia-se materialista e ateu. Era, no entanto, grande conhecer da religiosidade da população negra na Baía e foi o responsável, enquanto deputado federal, por criar a lei, ainda hoje em vigor, que garante o direito à liberdade de culto em todo o território nacional.
Amado, quase um Vianense
Jorge Amado visitou por onze vezes visitou o concelho de Viana do Castelo, que o inspirou nos seus romances.
"Foram aprovadas as duas propostas e a atribuição do nome de Jorge Amado a uma das alas da biblioteca municipal avança já. Quanto à rua, será uma nova artéria, que ainda vamos escolher, para honrar alguém que foi muito amigo de Viana do Castelo", explicou à agência Lusa o presidente da Câmara.
Segundo José Maria Costa, a atribuição do nome à ala da biblioteca municipal, desenhada pelo arquiteto Siza Vieira, será feita este mês, durante a Romaria d'Agonia, na presença do embaixador do Brasil em Portugal, Mário Vilalva, convidado de honra da festa, na qual será feita uma homenagem a Jorge Amado, falecido a 6 de agosto de 2001, com 89 anos.
O escritor tornou-se num verdadeiro embaixador de Viana do Castelo, tendo mantido uma forte relação de amizade com um mestre pasteleiro da cidade, que regularmente lhe enviava o típico pão-de-ló local.
Jorge Amado fez mesmo de Manuel Natário, falecido em 2003, com 78 anos, uma personagem importante do romance "Tocaia Grande": "Capitão Natário", que descreveu como "capitão de doces e salgados, comandante do pão-de-ló, mestre do bem comer".
A memória das várias passagens do escritor pela pastelaria "Natário", fundada em 1943, ainda hoje está bem viva naquele espaço, com várias fotografias que testemunham a relação com "Manuelzinho" Natário, como era carinhosamente tratado por todos.
A última visita do escritor brasileiro a Viana do Castelo aconteceu em 1991, precisamente quando Manuel Natário foi homenageado pela autarquia.
"Jorge Amado fez questão de vir cá, pela homenagem feita ao grande amigo", recorda ainda a viúva.