sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"Quando o Diabo Reza" de Mário de Carvalho



Quando um galdério tem uma ideia brilhante partilha-a logo com outro vadio.


Coletivização intelectual. Uma grande ideia fica a secar se não for disponibilizada. E como não há dois sem três, estende-se a rede e monta-se a urdidura. Vala grande, saltar de trás. Ponderadas as valências de cada factor e os recursos disponíveis, o projecto avança, científico e inseguro.

Quando duas irmãs, já entradas na vida, sonham com teres e haveres, mundos melhores, segurança de estado e paz de espírito, o destino costuma intrometer-se, turvar os planos, rasteirar os desígnios. Dessas contrariedades e feita a literatura que se da mal com os harpejos dos anjos nas nuvens e prefere o diabo, sempre atrás da porta, vigilante, até a rezar.

Quando um ancião rabugento anda por ai a bengalar à solta, ocorre a alguns visionários que ele esta mesmo a pedi-las.

Mário de Carvalho



Mário Costa Martins de Carvalho (Lisboa25 de Setembro de 1944), é um romancistacontistadramaturgo eargumentista português.

Mário de Carvalho nasceu numa família do Sul de Portugal. A reminiscência do Alentejo aflora em vários passos da sua obra, [1] mas Lisboa é o lugar privilegiado dos seus textos. A prisão do seu pai pela PIDE, polícia política salazarista foi um choque duríssimo que o levaria desde muito cedo à resistência contra o regime.

Biografia

Já no Liceu Camões foi aluno de Mário Dionísio e colega de turma de João Aguiar e Eduardo Prado Coelho.
A partir das greves estudantis de 1961-1962, desenvolveu actividade nas associações académicas e cineclubes, até à sua licenciatura pela Faculdade de Direito de Lisboa.
Em 1971, devido à resistência clandestina antifascista foi preso pela polícia política durante a instrução militar. Submetido a onze dias de privação do sono, acabou por cumprir catorze meses de prisão nas cadeias políticas de Caxias e Peniche. Essa situação encontra-se dramatizada filme de José Barahona Quem é Ricardo?.
Saiu ilegalmente de Portugal em 1973 e exilou-se em Lund, na Suécia, onde obteve asilo político já nas vésperas da Revolução de Abril.
Regressado a Portugal, após um agitado envolvimento político, dedicou-se a uma advocacia de causas, nomeadamente sindicais e de inquilinato.
Integrou a direcção da Associação Portuguesa de Escritores, durante as presidências de David Mourão-Ferreira (1984-1986) e Óscar Lopes (1986-88).
Foi professor convidado da Escola Superior de Teatro e Cinema e da Escola Superior de Comunicação Social durante vários anos. Orientou pós-graduações em escrita de teatro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e várias oficinas de escrita de ficção. É pai da escritora Rita Taborda Duarte e da jornalista Ana Margarida de Carvalho[2].

Obra

Em 1981 publicou, Contos da Sétima Esfera, que mereceram do crítico João Gaspar Simões a classificação de «surpreendente, desconcertante, inclassificável na tradição portuguesa».
Seguiram-se os Casos do Beco das SardinheirasO Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana e A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho.
Os Alferes apresenta de uma forma crua e desapiedada, não isenta de ironia, os dilemas dos jovens oficiais milicianos no teatro de uma guerra em que não acreditavam. Um dos contos foi adaptado duas vezes para cinema por (Luís Filipe Costa e Julio Alves) e uma para teatro (Il était une fois un souslieutenant, por Otile Ehret).
A Paixão do Conde de Fróis, logo traduzido para a prestigiada editora Gallimard, decorre no século XVIII, durante a Guerra dos Sete Anos. O seu livro mais reeditado, traduzido e premiado veio a ser o romance Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde que ficou como clássico do género, embora o autor, numa epígrafe provocatória, tenha garantido não se tratar de romance histórico. Na sequência do Prémio Pégaso de Literatura, o romance foi traduzido para inglês, francês, alemão, italiano e outras línguas, em capa dura e edições de bolso, com excelentes recensões.
Em 1995 surge o romance satírico Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias sobre o Assunto inaugurando o género a que o autor chamou «cronovelema» e que associa o humor à crítica aguda do quotidiano. O livro obteve um bom acolhimento na Alemanha e em França. Mário de Carvalho tem, actualmente, 21 livros publicados no estrangeiro, em 11 países, incluindo o Brasil.
A sua escrita é extremamente versátil e é impossível incluí-lo em qualquer escola ou corrente literária. Desde a crónica irónica do quotidiano à toada mais sombria, tem praticado uma grande diversidade de géneros, percorrendo vários épocas, e ecoando alguns grandes clássicos da literatura portuguesa e universal. Os seus livros têm tido sucessivas edições.
Todas as suas peças de teatro foram levadas à cena, em Portugal ou no estrangeiro. Trabalhou em argumento com os realizadores Luís Filipe CostaJosé Fonseca e Costa, Solveig Nordlung, José Carlos Oliveira e José Barahona.
Foram-lhe atribuídos em Itália os prémios Giuseppe Acerbi (Passegia un dio nella bresa della sera) e Citá de Cassino (I sottotenenti).

Livros publicados

  • Contos da Sétima Esfera (contos), 1981
  • Casos do Beco das Sardinheiras (contos), 1982
  • O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana (romance), 1982
Prémio Cidade de Lisboa
Prémio Dom Diniz
  • E se Tivesse a Bondade de Me Dizer Porquê?(folhetim), em colaboração com Clara Pinto Correia, 1986
  • Os Alferes (Contos), 1989
  • Quatrocentos Mil Sestércios seguido de O Conde Jano (novelas), 1991
Grande Prémio APE(Conto)
Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco
  • Água em pena de pato (Teatro), 1991
  • Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde (romance), 1994
Prémio de Romance e Novela da APE/IPLB
Prémio Fernando Namora
Prémio Pégaso de Literatura
Prémio Literário Giuseppe Acerbi
  • Era Bom que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto (romance), 1995
  • Apuros de um Pessimista em Fuga (novela), 1999
  • Se Perguntarem por Mim, Não Estou seguido de Haja Harmonia (teatro), 1999
Grande Prémio APE (Teatro)
Prémio PEN Clube Português Ficção
Grande Prémio de Literatura ITF/DST
  • O Homem que Engoliu a Lua (infanto-juvenil), 2003
  • A Sala Magenta, 2008
Prémio Fernando Namora
Prémio Vergílio Ferreira (pelo conjunto da obra)
  • A Arte de Morrer Longe, 2010
  • O Homem do Turbante Verde (contos), 2011
  • Quando o Diabo Reza, 2011

"Breviário Das Más Inclinações" de José Riço Direitinho


Quando chegaram a Vilarinhos dos Loivos, trazendo cacetes nas mãos e cinco mastins presos por longas arreatas, e se encaminharam para o fundo da aldeia, ninguém se atreveu a sair de casa. Sabiam todos que o José de Risso iria morrer de um modo atroz: batido pelos tendeiros e despedaçado em seguida pelos cães. De maneira que quando ao fim de três horas os viram descer as escadas de pedra, agarrados uns aos outros e a chorarem, e atirarem os paus para cima do telhado de colmo do estábulo, ninguém conseguiu acreditar.

Depois do livro de contos A Casa do Fim (publicado nesta mesma colecção) eis agora o primeiro romance de José Riço Direitinho. A confirmação da novíssima ficção portuguesa.

"Abre-se A Casa do Fim e é impossível largá-lo, bastam as páginas iniciais para, no mínimo, se intuir a promessa de um grande escritor." — Rodrigues da Silva, O Jornal

"Uma obra surpreendente pela qualidade da sua escrita e perturbante pela força das dez pequenas histórias que nos narra." — Máxima

"Ler estas páginas, impregnadas de magia, sobrenatural e fantástico, significa sobretudo nunca perder contacto com a profunda inquietação de toda a condição humana." — M.A.L., O Independente

"Uma autêntica vocação da escrita que se traduz pelo talento com que o autor reescreve e manipula as formas canónicas do imaginário da ficção." — Honório Nunes, Expresso

José Riço Direitinho



José Riço Direitinho (Lisboa, julho de 1965) é um escritor português, graduado em Agronomia, nas cadeiras deEconomia agrária e Sociologia rural. Com seu estilo nostálgico e visceral, conquistou seu lugar no círculo literário português.

Vida e carreira

Lisboa, cidade natal de Riço Direitinho.
Entre os anos de 1985 e 1991, iniciou suas publicações contribuindo com artigos para o Suplemento para jovens escritores do jornal Diário de notícias. Contudo, sua estréia no mundo literário através de uma publicação de vulto veio com a obra A casa do fim, lançada em 1992, seguida de perto pelos romances Breviário das más inclinações, em 1994, e Relógio do cárcere, em 1997.[1]
Em 1999, na Bienal do Livro no Rio de Janeiro, Direitinho foi o único autor a representar seu país, o qual foi homenageado no evento, demonstrando o prestígio que já possui como escritor. Neste mesmo ano, consegue uma bolsa de estudos do Berliner Künstlerprogramm e segue para Berlim, onde permanece até 2000. Lá, começa a trabalhar em sua próxima obra, Histórias com cidades, a qual é lançada em 2001.
No ano de 2004, esteve na Ledig House, uma residência para escritores de todo o mundo, situada na cidade de OmiNova Iorque, onde iniciou seu livro de contos Um sorriso inesperado, sendo publicado em 2005. Talvez essa experiência tenha rendido boas inspirações a Direitinho, pois a Ledig House[2] localiza-se no belo vale do rio Hudson, um local afastado, com natureza abundante, o que combina com seu estilo literário.

Estilo

Direitinho pertence à nova geração de escritores portugueses, distanciada da ditadura que assolou o país por décadas até1974, e seu estilo é considerado nostálgico, retratando, a partir de uma narrativa realista, a decadência da sociedade rural de seu país. Sua obra é considerada uma das mais importantes da nova geração de escritores europeus. Seus livros já foram traduzidos para vários idiomas, imprimindo mais força e viço à sua literatura.
Alguns de seus livros receberam prêmios importantes como o Breviário das más inclinaçõesPrêmio Ramón Gómez de la Senra, e o Relógio do cárcerePrêmio Villa de Madrid.
Obras
  • A casa do fim, 1992
  • Breviário das más inclinações, 1994
  • Relógio do cárcere, 1997
  • Histórias com cidades, 2001
  • Um sorriso inesperado, 2005

Sami Rivers (1923-2011)



Sam Rivers (25 de setembro de 1923 - 26 de dezembro de 2011) foi um músico e compositor de jazz estadunidense. Ele tocava saxofoneclarinetepianoharmônica e flauta em tenor e soprano. Ativo no jazz desde a década de 1950, Rivers ganhou maior destaque durante os anos 70 e 80 no free jazz.


http://www.youtube.com/watch?v=2oM055VFxDU

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"O Assédio" de Arturo Perez Reverte



Pode jogar-se uma partida de xadrez usando uma cidade como tabuleiro? O Assédio, o novo romance de Arturo Pérez-Reverte, é a sua obra mais enigmática.Cádis, 1811. Nas ruas da mais liberal cidade europeia trava-se uma batalha muito singular. Jovens mulheres são encontradas mortas. E em cada lugar, momentos antes da descoberta do cadáver, explode uma bomba francesa. Estes acontecimentos traçam um estranho mapa sobre a cidade: um complexo tabuleiro de xadrez em que a mão de um misterioso jogador - um assassino impiedoso, o acaso, a direcção do vento, o cálculo dasprobabilidades - move as peças que determinam o destino dos protagonistas. Enredados neste enigmático jogo estão um polícia corrupto, a herdeira de um império comercial, um corsário sem escrúpulos, um taxidermista misantropo e espião, um guerrilheiro bondoso e um excêntrico artilheiro francês. O Assédio reconstrói a extraordinária pulsação de um mundo deoportunidades perdidas. Retrata o fim de uma era e um grupo depersonagens condenadas pela História, sentenciadas a levar uma vida que,tal como a cidade que os alberga uma Cádis equívoca, enigmática econtraditória , nunca mais será a mesma.

"Clube Dumas" de Arturo Perez Reverte



Construído com um excepcional talento narrativo, O Clube Dumas organiza peça a peça uma trama excitante, minunciosa e complexa, onde se congregam os ingredientes do romance clássico em fascículos, as histórias policiais e de mistério, os jogos de adivinhas e as técnicas do folhetim de aventuras.

Arturo Perez Reverte



Arturo Pérez-Reverte (Cartagena24 de novembro de 1951) é um novelista e jornalista espanhol. Desde o ano de 2003 é, também, membro da Real Academia Espanhola da língua.
A sua obra está traduzida em quase trinta idiomas.
Antigo repórter de guerra, dedica-se em exclusivo à escrita desde finais dos anos 1980, tendo editado romances como "O cemitério dos barcos sem nome", "Território Comanche", "O hussardo", "O pintor de batalhas" e os seis romances da série de aventuras "Capitão Alatriste".
Temas como o cansancio do héroi, a aventura, a amizade, a viagem como perigo, a morte coma última viagem, e a cultura e a memória como única salvaçao que permite compreender a realidade, soportar a dor e conhecer a identidade da pessoa e do mundo sao freqüentes em seus romances. A visão que o escritor tem da existéncia em geral é sombria. Odeia ohumanismo cristião e acredita que a filosofia pagana tem uma visão máis exata e cruel do mundo.

Curiosidades

  • Foi repórter de guerra durante vinte anos. Esteve nas guerras de Libano, Nicarágua, Moçambique, Eritréia e Iugoslávia, entre outras.
  • Em plena guerra da Eritréia, sua vida foi salva por milicianos no deserto. Porém foi obrigado a lutar com eles, presenciando estupros e torturas horríveis. Finalmente conseguiu chegar a Khartum, no Sudão, num velho e sujo caminhao.
  • Sua visão da existéncia e profundamente pessimista, por causa da súa experiéncia como repórter de guerra.
  • Sempre polêmico, escreve artigos na revista dominical XLSemanal. Neles critica com dureza a sociedade espanhola, a Igreja católica, ao sistema financieiro internacional, a precariedade laboral juvenil, ao feminismo radical, ao separatismo basco e catalão, á linguagem politicamente correta, o terrotismo da ETA, entre outros temas.
  • Seu romance "A Rainha do Sul", sobre uma mulher narcotraficante mexicana foi adaptado em versao novela nos Estados Unidos, fazendo grande sucesso na comunidade latina.
  • É um profundo admirador da cultura mexicana, tendo feito dois romances ambientados no país: "A Rainha do Sul" e "Olhos azuis".
  • Como lembrança dos seus anos de repórter de guerra, tem na casa um fuzil Kalashnikov totalmente inutilizado pela polícia espanhola. É capaz de monta-lo e desmonta-lo até com as luzes apagadas.
  • Um artigo seu criticando durissimamente ao presidente Zapatero criou bastante polêmica na Espanha.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"S. Paulo Dois Mil Anos Depois" Pe. Carreira das Neves


Dois mil anos depois, a figura de São Paulo continua a levantar sérios problemas aos «esquemas» da igreja, a católicos romanos, ortodoxos, protestantes e evangélicos, tornando-se muitas vezes objecto de divisões. O seu estudo constitui um desafio que requer como bases a história, a arqueologia, a exegese bíblica, os comentários às cartas, a pastoral e a espiritualidade. E foi justamente às fontes histórico-literárias - as Cartas e os Actos dos Apóstolos - que o Pe Carreira das Neves foi beber, a fim de proporcionar nesta obra um retrato vivo e abrangente daquele que é habitualmente chamado o «apóstolo dos gentios», uma figura que, nas palavras do próprio autor, se tem enorme gosto em conhecer, um gosto que aumenta à medida que se aprofunda o seu estudo. 

"O Que É A Bíblia" de Pe. Carreira das Neves



Bíblia vem do grego e significa livros, no plural. Em latim e, por derivação, em português, transformou-se num singular feminino: a Bíblia como «O Livro», conjunto dos livros que formam o que também se chama Sagrada Escritura. Contém 73 livros: 46 no Antigo Testamento, e 27, no Novo Testamento. 
A Bíblia é o livro mais lido e traduzido. O número de exemplares vendidos em cada ano ultrapassa os 20 milhões e está traduzida para mais de 2160 línguas. Sem ela, não se pode entender a história e cultura europeias e do mundo - pense-se, por exemplo, na sua influência no Islão. 
Obra complexa, até porque o processo da sua redacção e formação demorou mais de mil anos, exige, para a sua compreensão, que se conheça a história dos textos, os lugares, os contextos, os géneros literários, as línguas em que foram redigidos, bem como os seus destinatários e a sua configuração final. 
Em Portugal, este é a melhor e mais acessível introdução à Bíblia no seu conjunto.

Padre Joaquim Carreira das Neves



Joaquim Carreira das Neves (Caranguejeira16 de Junho de 1934) é um padre franciscano e teólogo português.
Ordenado sacerdote em 1958, frequentou a Pontifícia Universidade Antonianum e o Pontifício Istituto Bíblico, em Roma, e o Instituto Bíblico da Flagelação, emJerusalém. Defendeu a sua tese de doutoramento na Pontifícia Universidade de Salamanca, sobre a Teologia na tradução grega dos setenta, no Livro de Isaías, em1967. É professor catedrático da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, onde se jubilou em 2005.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"A Vida e Destino" de Vassili Grossman



Vassili Grossman, adotando a estrutura global de Tolstói em Guerra e Paz, pinta em Vida e Destino um imenso fresco da Rússia soviética, com incidência nos anos da Segunda Guerra Mundial, na ofensiva alemã e na defesa e, depois, na contraofensiva soviética, que culminou na libertação de Stalinegrado e dos territórios ocupados pelos nazis.
Intercalando um petrificante relato da batalha de Stalinegrado com a história de uma família de classe média, dispersa pelas forças do destino entre a Alemanha e a Sibéria, Vassili Grossman constrói uma imensa e intrincada trama que retrata um tempo de horror quase inimaginável e de esperança ainda mais estranha. Vida e Destino intercala ambientes familiares com refúgios de snipers, laboratórios científicos e o Gulag, transportando-nos ao fundo dos corações e mentes de uma formidável galeria de personagens, que vão de um rapaz a caminho da câmara de gás até aos próprios Hitler e Stálin.

Vassili Grossman (1905-1964)



Vasily Semyonovich Grossman (o primeiro nome alternativamente é escrito como Vassily ou Vasiliy, do Russo: Василий Семёнович Гроссман), pseudônimo de Iosif Solomonovich Grossman (BerdichevUcrânia12 de dezembro de 1905 – 14 de setembro de 1964, foi um proeminente escritor e jornalista soviético. Sua principal obra é Vida e Destino, ainda não publicada no Brasil. No Brasil, pode ser encontrada a tradução de muitos de seus artigos publicados no Estrela Vermelha, orgão do Exercito soviético, durante a II Guerra, sob o título "Um Escritor na Guerra"Editora objetiva.. Vida e Destino vem sendo comparada ao Guerra e Paz, de Tolstoy. Grande afresco da II Guerra Mundial, essa obra prima humanista relata não apenas os horrores do Nazismo, mas o anti semitismo e a opressão presentes também no regime estalinista. A desumanidade de buscar os fins, "o bem", por quaisquer meios. Uma obra prima em favor da tolerância, da liberdade e do respeito à dignidade humana. A edição francesa, Obras, de Vasily Grossman, inclui uma carta à mãe, morta na câmara de gas pelos nazistas, e um relato de sua entrevista com o chefe da KGB, em favor da publicação de seu livro Vida e Destino, que ele, erroneamente, supunha poderia ser publicado após o relatório Kruschev, que também são duas obras primas.