quarta-feira, 28 de março de 2012

"Afirma Pereira" de António Tabuchi



Por Rita Pimenta
Um homem muda. Apesar da idade e do regime. Pereira é jornalista, vive em Lisboa e bebe limonada. Salazar governa.
Afirma Tabucchi que este é um “romance existencial”. Fala de um homem envelhecido que toma consciência da sua passividade. Corria o Verão de 1938 e Pereira, alheio à realidade política da época (ditadura salazarista, guerra civil espanhola e fascismo na Europa), prossegue impávido
É viúvo, dirige a página cultural — em que é o único redactor — de um diário vespertino, “Lisboa”, e fala com a fotografia da mulher. Menu exclusivo: omolete e limonada.
“Afirma Pereira” foi escrito em 1993 e mereceu dois prémios literários italianos no ano seguinte, Via Reggio e Campiello, e o prémio internacional Jean Monet em 1995.
Sendo indiscutivelmente um romance político, a narrativa de Tabucchi não assume um tom panfletário e prende com facilidade a atenção do leitor, pois é-lhe apresentada como uma espécie de testemunho do protagonista, onde a expressão “afirma Pereira” se vai repetindo.
São quatro as personagens que vão induzir a transformação do católico jornalista: dois anti-salazaristas militantes (Monteiro Rossi e a namorada, Marta), um padre (António) e um médico (doutor Cardoso). O protagonista acabará por escrever um artigo de denúncia que transforma o seu futuro. E assim se afirma Pereira.
Embora no momento da criação da obra a direita e Berlusconi ainda não estivessem no poder, Antonio Tabucchi apercebiase já do regresso dos nacionalismos, da xenofobia e do racismo. O romance retrataria assim uma época (1938-43) cujo ambiente teria alguns pontos de contacto com o que se vive na Europa contemporânea (salvaguardadas as devidas diferenças), explicava o autor por alturas do lançamento do livro.
Antonio Tabucchi, nascido em Pisa em 1943, Itália, conhece Portugal desde os 22 anos e considera-o o seu “país de adopção”. Apaixonado pela obra de Fernando Pessoa, traduziu e dirigiu a edição italiana dos textos do autor.
Para quem não tem memória de ter vivido em ditadura, Tabucchi dá a conhecer através de “Afirma Pereira” a asfixia cultural que então imperava, e o leitor congratula- se com o facto de sempre ter podido respirar livremente.

António Tabucchi (1943 - 2012)



Antonio Tabucchi (Vecchiano, província de Pisa24 de setembro de 1943 - Lisboa25 de março de 2012) foi umescritor italiano, professor de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Siena. Desde 2004 tinha também a nacionalidade portuguesa.
Muito apaixonado por Portugal, e dos melhores conhecedores, crítico e tradutor italiano do escritor portuguêsFernando Pessoa. Tabucchi chega à obra de Pessoa nos anos sessenta, na Sorbona, fica fascinado e no seu retorno a Itália assiste a aulas de português para poder perceber melhor o poeta.
Os seus livros estão traduzidos em cerca de dezoito países. Em parceria com Maria José de Lancastre, sua mulher, tem traduzido para italiano muitas das obras de Pessoa. Escreveu, além de outras obras, um livro de ensaios e uma comédia teatral sobre ele.
Obteve o prémio francês "Médicis étranger" pelo seu romance Notturno Indiano, e o prémio Campiello por Sostiene Pereira.
Alguns dos seus livros mais conhecidos são Notturno IndianoPiccoli equivoci senza importanzaUn baule pieno di genteGli ultimi tre giorni di Fernando PessoaSostiene PereiraLa testa perduta di Damasceno Monteiro e Si sta facendo sempre più tardi. Vários dos seus livros foram adaptados ao cinema, com destaque para Sostiene Pereira, onde Marcello Mastroianni realiza uma das suas últimas interpretações, em 1995, um ano antes da sua morte.

Antonio Tabucchi nasceu em Pisa, filho de Antonio Tabucchi e de sua mulher Tina Pardella, mas cresceu na casa de seus avós maternos em Vecchiano (uma aldeia nas proximidades). Durante os seus anos na universidade, ele viajou muito pela Europa na senda dos autores que ele havia encontrado na biblioteca de seu tio. Durante uma dessas viagens, encontrou o poema "Tabacaria" tabacaria num quiosque perto da Gare de Lyon, em Paris, assinado por Álvaro de Campos, um dos heterónimos do poeta Português Fernando Pessoa. Foi na tradução para o francês por Pierre Hourcade. Das páginas deste ele extraiu a intuição do seu interesse na sua vida futura, pelo menos, nos vinte anos seguintes.


Início de vida

A visita a Lisboa provoca o seu incontestável amor à cidade do fado e do país como um todo. Como resultado, formou-se em 1969 com uma tese sobre "O surrealismo em Portugal". Em Lisboa a 10 de Janeiro de 1970 casou com uma portuguesa, D. Maria José de Lancastre de Melo Sampaio, nascida em Lisboa, São Mamede, a 17 de Abril de 1946, filha da 3.ª Baronesa de Pombeiro de Riba Vizela e neta paterna do 4.º Conde das Alcáçovas, de quem teve o seu primeiro filho Miguel de Lancastre Tabucchi a 11 de Novembro desse mesmo ano. Especializou-se na Scuola Normale Superiore di Pisa na década de setenta e em 1973, ano em que nasceu a sua filha Teresa Marina de Lancastre Tabucchi a 25 de Agosto, foi nomeado professor de Língua e Literatura Portuguesa, em Bolonha.
Nesse ano, ele escreveu a sua primeira novela, Piazza d'Italia (Bompiani, 1975), em que tentou descrever a história do ponto de vista dos derrotados. Neste caso dos anarquistas da Toscana. Seguiu assim a tradição dos grandes escritores italianos de um passado relativamente recente, tais como Giovanni Verga, Federico De Roberto, Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Beppe Fenoglio, e autores contemporâneos, como Vincenzo Consolo.


Mais trabalhos

Em 1978 foi nomeado para a Universidade de Génova, e publicou Il Piccolo Naviglio (Mondadori), seguido por Il gioco del rovescio e altri Racconti (Il Saggiatore) em 1981, e Donna di Porto Pim (Sellerio 1983). A sua primeira novela importante, Notturno indiano, foi publicada em 1984, e se tornou a base de 1989, um filme dirigido por Alain Corneau. O protagonista tenta traçar um amigo que desapareceu em Portugal mas está na verdade buscando a sua própria identidade.
Publicou Piccoli Equivoci senza importanza (Feltrinelli) em 1985 e, no ano seguinte, Dell'orizzonte Il filo. Este romance apresenta um outro protagonista (Spino) numa missão para descobrir algo (neste caso, a identidade de um cadáver), mas que também está, mais uma vez, procurando a sua própria identidade, que viria a se tornar uma missão comum para os protagonistas Tabucchi. A película foi elaborada a partir deste livro, também, em 1993, dirigido por Fernando Lopes Português. Em 1987,Volatili del Beato Angelico (Sellerio) e Pessoana Mínima (Imprensa Nacional, Lisboa) foi impresso, tendo recebido o prêmio francês "Médicis" para o melhor romance estrangeiro (Notturno indiano). No ano seguinte, ele escreveu a comédia I Dialoghi mancati (Feltrinelli). O presidente da Portugal outorgou-lhe o título Do Infante Dom Henrique em 1989 e nesse mesmo ano o governo francês nomeou-o Cavaleiro des Arts et des Lettres.
Tabucchi publicou Un Baule pieno di gente. Scritti su Fernando Pessoa (Feltrinelli) em 1990, e no ano seguinte, L'Angelo nero (Feltrinelli 1991). Em 1992, ele escreveu em Português Requiem, um romance depois traduzido em italiano (Feltrinelli, vencedor do Prémio PEN Clube italiano) e Sogni di Sogni (Sellerio).
1994 foi um ano muito importante para o autor. Foi o ano de Gli ultimi tre giorni di Fernando Pessoa (Sellerio), mas mais importante do romance que lhe trouxe o maior reconhecimento: Sostiene Pereira (Feltrinelli), vencedor do Prêmio Super Campiello, Scanno e Jean Monnet de Literatura Europeia. O protagonista desse romance tornou-se um símbolo da defesa da liberdade de informação para os adversários políticos de todos os regimes anti-democráticos. Em Itália, durante a campanha eleitoral, a oposição contra o polêmico magnata da comunicação Silvio Berlusconi agregou-se em torno deste livro. O diretor Roberto Faenza extraiu-se o filme homônimo (1995), no qual lançou Marcello Mastroianni como Pereira e Daniel Auteuil como o Dr. Cardoso.
Em 1997 Tabucchi escreveu o romance La testa perduta di Damasceno Monteiro baseado na história verídica de um homem cujo cadáver foi encontrado decapitado em um parque. Descobriu-se que o homem havia sido assassinado em uma estação da Guarda Nacional Republicana (GNR). A notícia atingiu a sensibilidade do escritor e da imaginação. A definição do evento no Porto deu também o autor a oportunidade de mostrar seu amor pela cidade. Para terminar esta novela, Tabucchi trabalhou sobre os documentos recolhidos pelos investigadores no Conselho Europeu, em Estrasburgo, que respeitar os direitos civis e as condições de detenção na Europa, incluindo a relação entre cidadãos e agentes das forças de segurança. A novela demonstrou ser profética, quando um membro da polícia, o sargento José dos Santos confessou mais tarde o assassinato. Este foi mais tarde e após julgamento condenado e sentenciado a 17 anos de prisão. Também em 1997, escreveu Tabucchi Marconi, se ben mi Ricordo (IIE), seguido no ano seguinte por L'Automobile, Nostalgie la et l'Infini (Seuil, Parigi, 1998). Esse ano a Academia Leibniz lhe concedeu o Prêmio Nossack.
Escreveu Zingari e il Rinascimento (Sipiel) e Ena poukamiso gemato likedes (Una camicia piena di Macchie. Conversazioni di con AT Anteos Chrysostomidis, Agra, Atene 1999), em 1999. "As dúvidas são como manchas na camisa lavadas branco. A tarefa de cada escritor e de cada homem de letras é instalar dúvidas para a perfeição, porque perfeição gera ideologias, ditadores e idéias totalitárias. Democracia não é um estado de perfeição".
Em 2001 Tabucchi publicou o romance epistolar, Sta si facendo semper più tardi. Nele 17 textos celebram o triunfo da palavra, que, como "mensagens no" frasco, não tem destinatário, são missivas do autor dirigidas a um "desconhecido Restante poste". O livro recebeu o Prémio France Culture 2002 (a rádio francesa cultural) para a literatura estrangeira.
Passa seis meses do ano em Lisboa, com a sua mulher e os seus dois filhos, sendo já um nativo da cidade. O resto do ano é passado na Toscana, onde lecciona literatura Portuguesa na Universidade de Siena. Na verdade Tabucchi considera-se um escritor somente num sentido ontológico, porque do ponto de vista existencial ele está suficientemente contente em poder definir-se um professor universitário ". Literatura para Tabucchi não é uma profissão ", mas algo que envolve desejos, sonhos e imaginação".
Tabucchi contribui regularmente artigos para as páginas culturais dos jornais Corriere della Sera e El País. Em 2004, foi premiado com o prêmio de jornalismo Francisco Cerecedo, atribuído pela Associação de Jornalistas Europeus e entregue pelo herdeiro da Coroa Espanhola, o Príncipe das Astúrias Felipe de Borbón, em reconhecimento pela qualidade do seu trabalho jornalístico e sua defesa aberta da liberdade de expressão.
Em 2011, causou polêmica no Brasil ao recusar o convite da Festa Literária Internacional de Paraty devido à posição do país de não extraditar Cesare Battisti (escritor), condenado por 4 assassinatos na Itália.


Morte

Antonio Tabucchi faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, de câncer, em 25 de março de 2012, aos 68 anos.


Bibliografia

"Jogo desequilibrado" (Crónica do Provedor do Leitor do Jornal Público respondendo a uma critica minha)



Boa Tarde Sr. Provedor

Sou leitor assíduo do jornal Público pois acho que nas suas várias formas de mostrar a realidade informativa usa uma profundidade e uma forma, na minha opinião, quase literária que aborda a notícia. A notícia é e deverá ser sempre a base de qualquer jornal, seja ele diário, semanário, etc. Neste sentido a minha perplexidade surge quando não encontro no jornal referências a certos acontecimentos  que na minha opinião têm razão de virem referidos e tratados no jornal. E concretamente posso referir que reiteradamente desde que o jornal mudou a sua apresentação gráfica deixou de referir certos jogos de futebol que se realizam quer à 6a quer à 2a. Estes jogos têm uma base que é comum, isto é, são sempre entre equipas onde não estão o Porto, Benfica e Sporting. Posso referir como exemplo o dia de hoje em que se vai realizar a meia final da Taça da Liga entre o Gil Vicente e o Sporting de Braga e qual não é o meu espanto quando nem na versão em papel quer online não surge referência a este jogo nos moldes que o Público tem por hábito fazer noutros casos semelhantes. Questiono este casos já que me parece que isto apenas se iniciou com a mudança gráfica do jornal e nesse sentido como não vi nenhuma referência a uma mudança na linha editorial do jornal pergunto-me e pergunto ao Provedor se acha normal este tipo de sonegação de informação já se trata de uma semifinal de uma competição nacional de futebol ou se agora a linha editorial do Público apenas acha como plausível de ser noticiado os jogos dos chamados três grandes. Neste sentido acho ser importante clarificar de modo a que os leitores do Público possam ter quer noção do que norteia as escolhas do jornal e por outro lado clarificar de modo sistemático a razão de ser das mesma escolhas.

Cumprimentos e obrigado




 (Cró­nica da edi­ção de 25 de Março de 2012)
Terça-feira, 20. Ben­fica e FC Porto dis­pu­tam uma das meias-finais da Taça da Liga. O PÚBLICO dedica duas pági­nas à ante­ci­pa­ção do encon­tro. Plan­téis pro­vá­veis, esta­tís­ti­cas, decla­ra­ções dos trei­na­do­res, a ali­men­tar o inte­resse dos que não dis­pen­sam o espaço que o jor­nal dedica ao futebol.
Quarta-feira, 21. Ganhou o Ben­fica. Os lei­to­res que gos­tam de fute­bol já o sabem, mas que­rem conhe­cer o olhar dos jor­na­lis­tas sobre as inci­dên­cias do jogo, ver ou rever as decla­ra­ções dos pro­ta­go­nis­tas, pon­de­rar a aná­lise crí­tica dos espe­ci­a­lis­tas. Duas pági­nas intei­ras e a foto­gra­fia prin­ci­pal da capa.
Quinta-feira, 22. Falta saber quem será o outro fina­lista da com­pe­ti­ção. A res­posta será dada em Bar­ce­los, onde o Gil Vicente recebe o Spor­ting de Braga na segunda meia-final. Nem uma linha no jor­nal. Quem não sou­ber que nessa data se conhe­cerá o adver­sá­rio do Ben­fica na final não o ficará a saber pelas pági­nas de Des­porto do PÚBLICO.
Sexta-feira, 23. Ganha­ram os de Bar­ce­los. Será a pri­meira final do Gil Vicente numa com­pe­ti­ção naci­o­nal. Feito iné­dito, por­tanto. O jogo não foi banal, teve revi­ra­volta nos últi­mos minu­tos e foi deci­dido com recurso a gran­des pena­li­da­des. Quem não o viu encon­trou no jor­nal um curto relato — nada de reac­ções, nada de aná­lise crí­tica — pagi­nado a duas colu­nas na segunda página do Des­porto (a pri­meira era dedi­cada a um joga­dor do Ben­fica). Na capa, nem uma referência.
A desi­gual­dade de tra­ta­mento entre as duas meias-finais dis­pu­ta­das esta semana foi gri­tante. A dife­rença de peso — em cur­rí­culo, recur­sos, adep­tos — entre os clu­bes envol­vi­dos em cada um dos jogos não pode justificá-la. Tratava-se de emba­tes com idên­tica impor­tân­cia para o apu­ra­mento dos fina­lis­tas de uma com­pe­ti­ção nacional.
O lei­tor Miguel Ângelo de Almeida cri­ti­cou, com razão, o cri­té­rio edi­to­rial seguido. Espe­ci­al­mente no jor­nal de quinta-feira. Declara o seu “espanto” por não ter encon­trado, “nem na ver­são em papel nem online”, qual­quer “refe­rên­cia”, ” nos mol­des que o Público tem por hábito fazer”, à dis­puta, nesse dia, “da meia-final da Taça da Liga entre o Gil Vicente e o Spor­ting de Braga”.
Alarga a crí­tica e situa-a no âmbito da recente mudança grá­fica do PÚBLICO, queixando-se de que o jor­nal “dei­xou de refe­rir cer­tos jogos de fute­bol que se rea­li­zam quer à sexta-feira quer à segunda-feira”, quando entre as equi­pas que os dis­pu­tam “não estão o Porto, Ben­fica e Spor­ting”. Fala de “sone­ga­ção de infor­ma­ção” e ques­ti­ona se o PÚBLICO con­si­dera acei­tá­vel essa dis­cri­mi­na­ção posi­tiva “dos cha­ma­dos três gran­des”. Pede que seja cla­ri­fi­cada a ori­en­ta­ção do jor­nal nesta matéria.
A essa ques­tão res­ponde Jorge Miguel Matias, edi­tor do Des­porto, infor­mando que, “de facto, a alte­ra­ção grá­fica do jor­nal obriga os dife­ren­tes edi­to­res a apos­tar em deter­mi­na­dos temas em detri­mento de outros”, com a inten­ção de que “o jor­nal desen­volva com mais pro­fun­di­dade dois ou três temas por dia, em vez de ofe­re­cer uma mul­ti­pli­ci­dade de assun­tos tra­ta­dos mui­tas vezes de forma ligeira, em notí­cias com uma dimen­são média ou redu­zida”. Trata-se pois de uma alte­ra­ção de fundo, a que valerá pena vol­tar em outra oca­sião, já que os cri­té­rios de selec­ção temá­tica resul­tan­tes do novo figu­rino edi­to­rial e grá­fico têm levado alguns lei­to­res a colo­car dúvi­das ou objec­ções que mere­cem ser analisadas.
Ficando hoje pelo Des­porto, devo sali­en­tar que o edi­tor não ins­creve no âmbito dessa alte­ra­ção o caso da omis­são noti­ci­osa do jogo de Bar­ce­los, acerca do qual reco­nhece que “a não publi­ca­ção de nenhuma infor­ma­ção (no papel e no online) foi um erro de edi­ção”, pelo qual apre­senta des­cul­pas aos lei­to­res. “A sec­ção de Des­porto”, escreve, ” deve­ria ter publi­cado alguma infor­ma­ção, mesmo que pequena”, pois “tratava-se de uma meia-final de uma com­pe­ti­ção ofi­cial e, por­tanto, a rele­vân­cia era inequívoca”.
Afir­mando que se man­tém “a polí­tica de não limi­tar o acom­pa­nha­mento noti­ci­oso aos cha­ma­dos três gran­des”, Jorge Miguel Matias alega que “prova disso mesmo é o facto de, pre­ci­sa­mente pelo facto de o Sp. Braga estar na luta pelo título de cam­peão naci­o­nal, ter­mos pas­sado a publi­car um texto de ante­ci­pa­ção dos seus jogos”.
É com­pre­en­sí­vel que moti­vos de rele­vân­cia e audi­ên­cia levem o PÚBLICO, como aliás toda a imprensa, a pri­vi­le­giar o espaço con­ce­dido aos jogos e às notí­cias dos mai­o­res clu­bes. Mas não é acei­tá­vel — qual­quer que seja o modelo grá­fico ou o espaço dis­po­ní­vel — que essa dife­rença ultra­passe os limi­tes exi­gi­dos pela isen­ção no acom­pa­nha­mento de com­pe­ti­ções nas quais todos os par­ti­ci­pan­tes estão, à par­tida, em situ­a­ção de igual­dade for­mal. E muito menos que o dese­qui­lí­brio possa che­gar a assu­mir a forma de omis­são. Sendo isto válido para qual­quer das edi­ções do jor­nal, é de espe­rar que o esforço por uma abor­da­gem mais equi­li­brada seja maior no Público Online, em que não exis­tem os cons­tran­gi­men­tos de espaço pró­prios da edi­ção impressa.
PÚBLICO não deve esque­cer que têm lei­to­res em todo o país e que se con­tam entre eles adep­tos de clu­bes como o Spor­ting de Braga ou o Gil Vicente. Que exis­tem ainda os que se inte­res­sam por fute­bol à mar­gem das pai­xões clu­bís­ti­cas. E que os últi­mos anos têm mos­trado que a tríade dos “gran­des” não está fixada para a eternidade.

José Quei­rós

terça-feira, 13 de março de 2012

"E A Noite Roda" de Alexandra Lucas Coelho




Ana e Léon conhecem-se em Jerusalém na véspera da morte de Yasser Arafat. Aí começa uma história que atravessa várias cidades e paisagens, da Faixa de Gaza à Mancha de Quixote, enquanto o mundo exterior se vai fechando num quarto sem saída.
«Toda a praça roda à minha volta e tu és um buraco negro. Então o sol dá-te em cheio. Estás encostado à fonte, depois da estátua de Giordano Bruno, que há 400 anos foi queimado por dizer que nós é que rodamos à volta do sol. Fumas uma cigarrilha, chamas-te Léon. És um desconhecido e és tu. Qual deles vais ser?»
"E a Noite Roda" é o primeiro romance de Alexandra Lucas Coelho.


"Tahrir - Os Dias Da Revolução" de Alexandra Lucas Coelho



Alexandra Lucas Coelho viveu a Revolução do Egipto no Cairo. Esteve na Praça Tharir, dormiu na Praça Tharir e foi da Praça Tharir que viu Hosni Mubarak cair do poder e todo um país celebrar em êxtase. Falou e conviveu com muitas pessoas, com todo o tipo de pessoas que fizeram a revolução, assistindo, em directo e sem filtros, ao ímpeto revolucionário. Tahrir! Os Dias da Revolução é um relato totalmente inédito, comovente, por vezes avassalador. A autora de Caderno Afegão e Viva México partilha com os leitores o seu diário pessoal dos loucos dias de Fevereiro de 2011 que mudaram o destino de todo o mundo árabe.

quarta-feira, 7 de março de 2012

"Bufo & Spallanzani" de Ruben Fonseca



«Quando chegou ao local do encontro, Guedes já sabia que Delfina não estava a dormir, como chegaram a supor as pessoas que a encontraram, devido à tranquilidade do seu rosto e à postura confortável do corpo no assento do carro. Guedes, porém, havia tomado conhecimento, ainda na delegacia, do ferimento letal oculto pela blusa de seda que Delfina vestia.»

"A Cidade Dos Prodígios" de Eduardo Mendoza


Em 1887, Onofre Bouvila, um rapaz pobre do campo, chega a Barcelona e obtém o seu primeiro traba-lho como distribuidor de panfletos anarquistas entre os operários que trabalham na construção da Ex-posição Universal do ano seguinte. A partir daqui, o leitor assiste à espetacular ascensão social de Bouvila, que o vai converter, mediante métodos não muito ortodoxos, num dos homens mais ricos do país. Um extraordinário relato da construção da moderna Barcelona, um dos grandes romances espa-nhóis do século XX.

Eduardo Mendonza


Eduardo Mendoza nasceu em Barcelona, em 1943. Autor de uma vasta obra, iniciada em 1975 com A Verdade Sobre o Caso Savolta (que imediatamente obteve o Prémio da Crítica e se transformou numa obra “fundadora” da nova literatura espanhola), é hoje um dos vultos cimeiros do panorama literário europeu. Os seus livros foram repetidamente galardoados, quer em Espanha, quer no estrangeiro, e têm sido frequentemente adaptados ao cinema.

"A Guerra Civil De Espanha" de Antony Beevor



Num estilo acessivel, Antony Beevor descreve as origens da guerra civil e o seu violento e dramático percurso - desde o "coup d'état" de Julho de 1936 até ao mais longo dos ferozes combates dos três anos seguintes - que culminou na catastrófica derrota dos Republicanos, em 1939. "Guerra Civil de Espanha" é um marco na História da guerra das operações militares modernas: um relato histórico absorvente e lúcido para qualquer leitor.

Antony Beevor



Antony James Beevor (14 de dezembro de 1946) é um escritor e historiador britânico, educado na renomada Real Academia Militar de Sandhurst e discípulo do mais respeitado historiador britânico sobre a Segunda Guerra MundialJohn Keegan.
Descendente de uma família de mulheres escritoras, Beevor escreveu na última década grandes livros de sucesso sobre a guerra como Creta: A Batalha e a ResistênciaStalingrado e Berlim – A Queda 1945, considerados dos melhores e mais detalhados trabalhos sobre cruciais batalhas do conflito mundial. Elogiados e multi-premiados pela crítica por seu estilo vivo, de descrição detalhada e levantamento investigativo e testemunhal dos fatos, os livros trazem também novas informações meticulosamente apuradas, principalmente sobre a pouca estudada ocupação soviética de Berlim.
Beevor sofreu pesadas críticas do governo russo pelos fatos detalhados por ele em Berlim – A Queda 1945, que narram as atrocidades cometidas pelos dois lados ao final da guerra, mas principalmente as cometidas pelo Exército Vermelho contra a população alemã, notadamente o estupro em massa de mulheres de todas as idades nas semanas seguintes à rendiçãonazista e à ocupação soviética da Alemanha. Em cores fortes, o livro lança luzes sobre este período, o que custou a Beevor a ira oficial russa, sendo chamado de mentiroso e de ter escrito uma calúnia contra o povo que libertou a humanidade do nazi-fascismo, pelo embaixador da Rússia nas Nações Unidas.