quarta-feira, 2 de maio de 2012

"D. Pedro IV" de Eugénio dos Santos



D. Pedro de Alcântara. quarto filho de D. João VI e de D. Cartola Joaquina de Bourbon. nasceu em 12 de Outubro de 1798, no quarto D. Quixote do palácio de Queluz, onde voltaria 35 anos mais tarde, agora para morrer, após a vitória na guerra civil que o opusera a seu irmão D. Miguel.
Quando embarcou para o Brasil, acompanhando a comitiva régia, Pedro não guardava boas recordações da sua meninice. Envolvido pela liberdade comportamental fluminense a partir dos 10 anos, deixou-se ir contaminando por tudo o que a sua natureza exuberante, rica e apaixonada lhe pudesse proporcionar: exercícios físicos radicais, cavalos de raça, arreios e carros vistosos, música e danças nativas, aventuras com mulheres de todas as etnias e estratos sociais, festas nocturnas e proezas a roçarem a intrepidez. Para os estudos tradicionais não sentia propensão, embora lhe não faltassem inteligência e talento, agradavam-lhe o teatro, com a sua gestualidade, sons e cor, e, em especial, a música clássica e instrumental, sendo o seu ouvido exigentíssimo. Consciente de que vivia em tempo de mudanças fulgurantes, seguiu algumas pistas novas e recomendou aos seus descendentes que se abrissem e se preparassem para talhar outras. 
Soube, como poucos, renunciar a convites lisonjeiros e manter-se fiel a honra da palavra dada: não se dispôs a avançar para a coroa da Grécia, nem a aceitar o convite dos Liberais espanhóis para assumir a coroa peninsular e, menos ainda, para regressar ao Brasil, após a abdicação. Politicamente, manteve, ao longo da vida, uma espantosa coerência. A partir de 1822, com o Fico, tornou-se brasileiro, encabeçando o movimento da independência e liderando a construção e unificação de um dos grandes impérios contemporâneos, cuja arquitectura institucional ajudou a definir. Devem-se à sua iniciativa a inspiração de duas constituições: a brasileira de 1824 e a portuguesa, de 1826. 
A história recorda-o como um homem pleno de fraquezas e quedas retumbantes, mas também corno alguém dotado de enorme grandeza de alma, de intuições magnificas, de realizações impares. A morte transformou-o num herói romântico quase paradigmático, a que não faltou a entrega do seu coroação a Cidade Invicta, vontade que sua filha satisfaria.

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